sábado, abril 16, 2005

Diario, dia 01 - Lisboa - Asilah (Marrocos)

Na véspera foi a noitada da ordem. O meu amigo Rui Gomes deu-me uma ajuda preciosa, no que já constitui uma tradição impecável nas noitadas antes das viagens grandes. De modo que às 8 lá estava na área de serviço do Fogueteiro, onde tínhamos combinado o primeiro encontro, nós os que saímos de Lisboa. Tínhamos à despedida o Luís Lourenço, o Nuno César, o Luís Carlos e o Carlos Cordeiro com o filho e que nos escoltou com a sua Pan European até Alcácer onde nos juntámos com o Teles. Mas isso foi só às 10H00, que o Miguel Casimiro estava um bocadinho atrasado e esqueceu-se do carnet em casa J. A hora de saída até nem foi má, considerando que ainda anteontem às 9 da noite o Casimiro dizia “Tenho que ir fazer as malas” querendo com fazer significar a manufactura dos próprios recipientes! Na autoestrada o Casimiro ignorou a saída para Beja e nós ignorámo-lo a ele e instruímo-lo por telefone para se nos juntar em Tarifa. Assim aconteceu, sem mais histórias, por volta das 5 e meia da tarde.Antes de saír da Comunidade tínhamos que carimbar o famoso Carnet ATA, o documento que permite a re-exportação da moto quando voltar de Bissau no barco. Confirmaram-nos no porto de Tarifa que isso se fazia ali, de maneira que comprámos bilhete para o ferry rápido das 20 e fomos para as tapas depois de um bocado de conversa com uns conhecidos de Alenquer que lá encontrei . Às 7 e meia tivemos uma surpresa desagradável – afinal o Carnet não é carimbável em Tarifa. Lá resolvemos o reembolso do bilhete do ferry e fomos para Algeciras. Aí sim, carimbámos o carnet num ápice, comprámos bilhetes para um barco sem sequer especificar para onde (vá lá que não fomos parar a Ceuta!) e no meio desta aceleração vi uma GS cinza com uma top case familiar. Era a moto do Gonçalo Mata, um amigo de quem já não ouvia há uns tempos e que ia para Marrocos por Ceuta na companhia de uma 650 GS! Despedi-me com pena e ainda apanhámos o barco das 21H00 para Tanger. Demorou foi séculos a zarpar e só atracou em África à meia noite e meia. As formalidades na fronteira de Tanger demoraram. Toda a gente sabe o que é o Carnet ATA mas nunca mais estava tratado. Depois ainda nos pediram para preencher também o papel verde da importação temporária. O que é facto é que com as duas coisas vou mais descansado. Este ano a moto do Teles não fica em Marrocos, caraças! Só deixámos Tanger às duas da manhã, depois de termos inaugurado “o bolo”: decidimos viajar em regime comunista. Trocámos todos a mesma quantidade de dirhams e qualquer despesa será paga indiscriminadamente por qualquer um de nós. Se todos trocarmos a mesma quantidade de divisas, todo o dinheiro estrangeiro pertence em partes iguais ao colectivo. Simplificou muito os abastecimentos, as contas de refeições e alojamentos, ...tudo! Viva o comunismo! Avançámos noite dentro até Asilah onde alugámos um apartamento numa espécie de motel/parque de campismo. Dormimos que nem calhaus.

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