sexta-feira, abril 29, 2005

Diario, dia 14 - De Falacunda a Sao Joao e de volta ao Saltinho

Acordei com o toque que habitualmente uso no telemóvel para despertar: "cócórócócóóó...". Estranho, porque o dito aparelho deve estar para ali dentro de uma mala, já não o vejo desde Dakar (que parece que já foi no século passado!!) . Abro um olho, só um, e vejo o mesmo que os outros: não era o Nokia a cacarejar. Um galo e três galinhas passeavam-se ao nosso lado. O barracão que tínhamos alugado tem outras funções para além das de dormitório e auditório multimédia. A vantagem de se dormir na capoeira é que se vai cedinho para a pista. A luz é muito bonita a esta hora e vai dissipando uma neblinazinha muito fina que deve ter descido durante a noite. Bosques de cajuzeiros (cajueiros? árvores de caju? Vocês já perceberam.) entremeados com termiteiros gigantescos. A sério que na Guiné são tantos os termiteiros quantas as árvores. E as árvores são muitas!! Mas não é só a luz. A pista é frondosa, estreitinha, pouco percorrida e muito bonita. Leva-nos a São João onde ainda temos esperança de conseguir embarcar com as motos para Bolama, uma das ilhas dos Bijagós. Quando perguntámos, a coisa parecia bem encaminhada. "Sim, tem jangada. Há-de vir". Passado um bocado, a informação era "A jangada tem problemas". Mais uma meia hora e concluímos que os Bijagós não nos estavam mesmo destinados. A jangada é de aluminio e parece que alguém a tentou soldar com eléctrodos de ferro. Esburacou. Demos meia volta. Objectivo Saltinho - se o dono, o Sr. Fernando, nos fizer um preço especial, abancamos. E fez. De maneira que hoje é dia de luxo. Tomámos banho no rio, bebemos cervejas frequinhas e comemos pão acabadinho de fazer e peitos de rôla estufados num alpendre "África minha" a olhar para a paisagem "África minha". Deu direito a sesta com ar condicionado e tudo. Fizémos mais um amigo, o Uié. É filho do chefe de uma tabanca próxima e tem muitos recursos. Vai arranjar-nos alguma gasolina e levar-nos à discoteca. A discoteca chama-se Taliban e fica algures no meio do mato. Chega-se por uma pista estreitinha e arenosa. Calhou-me a mim levar o Uié à pendura e estava a ver que lhe estragava a toillete de abanar o capacete que não levámos. A Varadero levou o Assumane, funcionário da estalagem que também vai à Taliban pela primeira vez. Imaginem uma escola primária das nossas, daquelas do Estado Novo. Do telhado só sobram vigas e barrotes, o ripado e as telhas já desapareceram. É uma discoteca descapotável, portanto. Lá dentro batem uns ritmos mais techno que afro e que o Miguel identifica pelos nomes próprios. Além das estrelas só dois spots coloridos compõem a iluminação, som e luz alimentados por um geradorzito nas traseiras. A entrada custa 250 CFA e não há idade mínima. Vêm-se crianças de colo. Gazelles (é o que se chama ás miúdas giras na África Ocidental) é que nem por isso. As que há, o Uié conhece-as todas e com todas dá um pezinho de dança. O DJ, atempadamente informado da nossa proveniência, dedica aos turistas portugueses uma espécie de espectáculo de breakdance que uns artistas vindos de Bissau estão a apresentar. Aguentámos firme até à meia noite e meia!

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