domingo, maio 01, 2005

Diario, dia 16 - De algures a Sul de Pirada de volta Bissau

Para o pessoal das tendinhas pequeninas sem duplo tecto a noite foi mesmo agreste. Estamos de volta a Bafatá, hoje à procura de combustível para a alma: café.Alegadamente há num restaurante de uma senhora "vossa patrícia", portuguesa portanto. Mas estava fechado. No hotelzinho com ar simpático, na rua principal que sobe do mercado para a igreja, também não há. Afinal parece que pertence à mesma patrícia que terá ido à missa. Acabámos por fabricar um Nescafé sem açucar à beira da pista (aqui chama-se picada) para Mansabá. Lembram-se de Mansabá? Foi onde ficámos a primeira noite na Guiné. Temos lá o nosso amigo Domingos, que arranja cerveja fresca e é secretário do presidente e vai casar catolicamente com a Antónia e que tem 4 filhos e que estudou em Praga no tempo do comunismo e que ficou em Lisboa ao pé dos Jerónimos e que... é incrível o que ficamos a saber de uma pessoa num único serão!!! O Domingos, claro, ficou todo contente de nos ver. Levou-nos a casa da sobrinha Francisca, a comer asinhas de galinha estufadas com limão e cebola. Uma delícia! Ah e pão e cerveja fresca!.. Não pensem que tanta referência a cerveja já significa comportamento aditivo!!! É só que, se em Marrocos ainda se arranja, na Mauritânia é inexistente. E rara é também qualquer coisa fresca numa Guiné que parece completamente desprovida de electricidade. Aprendemos a valorizar! Em Bissau valorizámos mais umas quantas na nossa delegação: a esplanada do Império. À noite fomos jantar com os Russos a um restaurante português, o Colete Encarnado. Bissau à noite é de uma escuridão total só quebrada por um ou outro café ou montra iluminada. Ouve-se uma sinfonia difusa de grupos geradores da diferentes potências. Amanhã já me vou embora, é o pensamento ao adormecer.

1 comentário:

  1. Adorei as fotos as imagens estao excelentes. É bom existirem pessoas interessadas em mostrar culturas esquecidas obrigada por terem mostrado a minha terra.

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