terça-feira, junho 05, 2007
Caracas dia 2
Continuamos em Caracas, ontem nao conseguimos desalfandegar as motos, a Sra inspectora da Aduana teve um pequeno acidente de carro na hora de almoço e já nao voltou. Ficámos por aqui a afogar as nossas maguas um pouco frustados.
Passámos toda a tarde na esperança de receber noticias e por isso ficámos perto do hotel. Aproveitámos para dar uma arrumaçao nas malas e preparar tudo o que é possivel ser preparado sem as motos. Descobrimos a praia nas traseiras do hotel, nao é muito limpa mas até é bonita
Agora estamos aqui no escritorio do Evert e do Jorge, já fomos à aduana logo cedo e parece que o processo já está pronto, combinámos ir lá à 1.30 para assinar e concluir o processo...vamos ver se é desta;-)
Esperemos que seja possivel tirar as motos hoje
segunda-feira, junho 04, 2007
Está calor en Caracas
Já cá estamos, está quente, muito quente mais de 30 graus e uma humidade fora da que ultrapassa a escala. À nossa espera estava o Pablo, amigo maravilhoso que nos acolheu e guiou no nosso primeiro dia de viagem. Foi gracas ao Pablo que resolvemos o primeiro contratempo, o hotel Catimar que tinhamos reservado e que supostamente tinha garagem para montar e guardar as motos está em obras! A garagem é agora uma imensa cratera e nao há como guardar as motos.
Corremos Catia Del Mar procurando outro e encontámos o Luna Mar, um hotel muito simples e muito movimentado, especialmente por hospedes rápidos....
O Pablo foi o nosso anjo da guarda, a maravilhosa ajuda recordou-nos a chegada a Sáo Paulo onde tivemos um recepcao semelhante o ano passado. Levou-nos numa visita guiada pela cidade durante o por do Sol e por fim tomamos a primeira cerveja gelada da viagem. Em sua casa conhecemos a sua simpática esposa Zaidith e terminámos a noite num restaurante tipico da Venezuela, mas de um compatriota da Madeira.
Ontem era dia de turismo convencional, tinhamos previsto ir ao atol Los Roques mas náo exisem voos de regresso no domingo, só poderiamos voltar ao continente na segunda e por isso optámos por nao ir. Em vez disso alugámos um Toyota Land Cruiser e fomos passear pela regiao, comecamos por seguir pela costa caribenha para Oeste,
a estrada costeira terminou e comecamos a travessia da cordilheira que acompanha toda a costa norte da Venezuela e que representa o inicio do Andes. No ano passado estivemos no ponto onde esta cordilheira termina, na Tierra del Fuego e agora estamos onde ela "nasce". As montanhas sáo impressionantes, altas, muito altas chegamos a mais de 2500 metros de altitude, a estrada é estreita e muito escorregadia, a novo vale temos um clima diferente, chuva tropical, calor e sol forte, depois vento fresco e nuvens baixas,
muita humidade e tudo muito verde. Passamos por vales de erva baixa e por florestas tropicais e continuamos a subir na cota dos 2500 mtrs. Chegamos com alguma surpresa a Colonia Tovar, uma colonia Alema que aqui se intalou por volta de 1850 e que permaneceu isolada do resto da Venezuela atè 1963. O resultado é uma tipica aldeia rural alema , no meio de uma selva tropical, maravilhoso. Seguimos para Oeste na direcao do Parque Morocoy, aliás hoje batemos o nosso recorde de P. Naturais num dia, nada mais de 4 pelas minhas contas.
Chegámos finalmente Tucacas e mesmo com o Parque já de portao fechado conseguimos convencer o guarda a deixar-nos entrar. Uma pista de terra entra por um mangusal imenso, de um lado uma lagoa e as montanhas, do outro as praias caribenhas com coqueiros e ilhas de coral ä vista.
Foi pena termos chegado tao tarde, mesmo assim deu para dar um mergulho, ver alguns corais e peixinhos tropicais e um por do sol "daqueles"...
O regresso foi duro, foi só uma voltinha mas fizemos 600kms, muitos deles por estrada de montanha muito esburacada, algo pouco confortavel quando apenas temos 5 lugares para 6 pessoas, o sorteio de quem ia na mala nunca foi muito amistoso mas lá chegámos ao nosso animado hotel por volta da meia noite, cansados mas satisfeitos.
Hoje acordámos cedo e devolvemos o jipe alugado, o Alberto da Tap Cargo veio ao nosso encontro e estamos agora com o Evert a preparar tudo para ir a alfandega "sacar" las motos. Segundo o Evert parece que vamos conseguir fazer isso ainda hoje :) Estamos neste momento a tentar resolver 2 pequenos problemas, o Casimiro e o Teles estáo de clacoes e chinelos e assim nao podem entrar na "Aduana" e todos os nosso passaporte foram carimbados com entradas a 2 de Maio em vez de 2 de Junho... nao deve ser muito dificil resolver isto....
Queria dar um recado ao MARC que tanto nos ajudou, Marc, os teus abracos foram entregues, tanto o Evert como o Alberto sao magnificos e estao a ajudar-nos muito, mandam saudades!
terça-feira, maio 29, 2007
Motas a caminho.
sábado, maio 19, 2007
Floribela a nova companheira de viagem.
Em Janeiro quando comecei a fazer contas para esta viagem contactei a Tap Cargo para saber o custo de enviar a minha BMW GS para a Venezuela. Os números não foram nada agradáveis e por isso achei que era a altura ideal para modificar a forma encarar estas viagens. A BMW GS é uma moto excelente, muito fiável e ao longo dos 200.000 kms que fiz com a minha sempre me levou a todos os destinos sem problemas de maior.
É no entanto uma moto cara, pesada e volumosa, quando temos de fazer importações temporárias, carnets, transportes intercontinentais e afins os valores envolvidos são sempre grandes. Já à algum tempo que eu e os meus companheiros de viagem falávamos em mudar para motos menores, mais leves e com menor valor, pouparíamos dinheiro e em qualquer circunstancia mais complicada seria sempre mais fácil abandonar a mota e voltar a casa.
Com isso na cabeça adquirimos varias monocilindricas, motos simples, leves e de valor muito baixo quando comparados com o da BMW. A solução parecia perfeita mas teríamos a mesma fiabilidade e comportamento que com as BMWs??
Eu costumo ter como um dos pontos mais importantes para a preparação destas viagens o conhecimento mecânico das motos que utilizamos, por isso agarrei na moto que me calhou, uma Honda Dominator 650 e comecei a modificar os pontos que me pareciam frágeis.
Foi uma odisseia que durou os 4 meses seguintes onde foram gastas centenas de horas de trabalho na companhia de vários amigos.
Chamei a minha Dominator de Floribela pois sempre que começava esta conhecida e interminável novela eu descia para a garagem.
O resultado final foi este;
30 litros de combustível, 550 quilómetros de autonomia, suspensões invertidas na frente com curso maior, braço oscilante mais longo e mais resistente, amortecedor Ohlins atrás, 100 litros de capacidade de carga, motor revisto e preparado pelo João Rodrigues e sistema de navegação desenvolvido pela Espaços Sonoros - Garmin.
Durante as ultimas semanas testei as modificações e todas elas contribuíram definitivamente para melhorar o comportamento e a fiabilidade da moto. Com tudo isto ganhei um bom conhecimento mecânico da moto, sinto-me mais preparado para a viagem, a Floribela está pronta!
domingo, março 25, 2007
Nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha.
A viagem mais importante que podemos fazer na vida é encontrar pessoas pelo caminho. Eu tenho a felicidade de ter encontrado bastantes. Acima de tudo, na vida, temos necessidade de alguém que nos obrigue a realizar aquilo de que somos capazes. É este o papel da amizade.
O Elmer é uma dessas pessoas que encontramos pelo nosso caminho, conheci-o quando ajudava alguns pilotos privados no Dakar de 2006. Apesar de discreto e magrinho destacou-se imediatamente pela sua postura modesta mas muito dedicada.
Fazia o seu segundo Dakar como mecânico, tinha o sonho de fazer este rally como piloto de moto e 2007 era o seu ano. Apesar de ser um piloto de talento confirmado, vencedor de várias outras provas e respeitado pelos melhores pilotos o Dakar sempre lhe fugiu. A derradeira prova de resistência conhecida por ser o Rallye mais duro do planeta é tambem uma das provas mais dispendiosas e por isso era necessário aguardar até conseguir condições para participar.
Finalmente em 2007 ele tinha a sua moto e ia concretizar o seu sonho. Ficou hospedado na casa do Martins e utilizou a minha garagem como a sua base de preparação para cumprir finalmente o seu sonho. Era fácil ficar amigo do Elmer, a sua modéstia e simplicidade cativava qualquer um. A sua dedicação na preparação da sua moto era impressionante, apesar de extremamente metódico e minucioso era perceptível o enorme prazer que sentia por estar ali, finalmente a preparar a sua moto para o Dakar. Os seus objectivos eram claros, 2007 para aprender e chegar ao fim, 2008 para vencer!
Mesmo nos momentos descontraídos a sua concentração era absoluta. Lembro-me que mesmo no jantar de Natal enquanto a minha mãe o empanturrava com doses repetidas de todos os pratos tipicos desta altura, ele de tempos a tempos puxava discretamente do seu bloquinho de notas e escrevia mais uma tarefa que se tinha lembrado entretanto.
Já em prova o Elmer ficou bastante mais relaxado, acompanhado pelo Philip e pela Jualeen via-se perfeitamente que este era o seu ambiente natural, a sua felicidade transbordava e contagiava todos. A sua eficácia nas etapas deixou todos impressionados e os seus tempos nas etapas eram prova disso.
A ultima vez que vi o Elmer foi em Portimão, dei-lhe um abraço e despedi-me até ao dia seguinte quando o encontraria algures em Marrocos. Durante a viagem para o reencontrar soube do acidente fatal. Não consigo até hoje descrever o que sentimos na altura, eu o Luis e o James ficámos silenciosos, destroçados, derrotados. Ficámos em Marrocos ajudando em tudo o que fosse possivel e tentando apoiar o Philip e a Jualeen, a única família do Elmer.
Já de regresso a Lisboa, revendo as fotos do Elmer, lembrando das deliciosas tertulias com vários amigos lá na garagem, senti que ele partiu fazendo o que mais gostava, partiu realizando o seu sonho e haveria de estar feliz onde quer que estivesse.
Eu o Carlos Martins, o Luis Lourenço e o Miguel Deus decidimos realizar a etapa onde aconteceu o seu acidente e terminar o que o Elmer começou no ultimo dia da sua vida. No fatídico quilómetro 142 deixámos uma pequena homenagem e juntos brindámos ao nosso amigo, acreditamos que foi uma boa forma de o homenagear.
Podem ler aqui um texto com o diário desta viagem:!
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Caracas - Machu Picchu - Rio de Janeiro
Já temos bilhetes!!!!! Sabemos que neste tipo de viagens o bilhete de avião é provavelmente o mais simples de organizar, mas têm de concordar que é um passo importante lol pelo menos já sabemos para onde vamos e de onde regressamos, agora como vamos de um ponto ao outro é ainda uma coisa a analisar.
Optámos por comprar os bilhetes com mais de 6 meses de antecedência por varias razões, 1º sai mais barato, 2º o subsidio de Natal estava ali à mão, 3º assim temos mesmo de ir ;-)
Entretanto temos lido os guias, estudado os mapas e pesquisado pontos de interesse na Internet. Chegámos à conclusão que para cumprir o objectivo de ligar Caracas ao Rio de Janeiro temos 3 rotas possiveis, seja como for já escolhemos onde vamos esperar pela desalfandegação das motos, Chama-se Los Roques, é um atol de coral a 30 minutos do aeroporto e pode-se acampar de borla ;-)
A rota mais simples atravessa a Venezuela para Sul até Manaus no Brasil, aí apanhamos um barco que desça o rio Amazonas até Belém e depois seguir pela costa atravessando Fortaleza, Natal, Bahia, Recife etc.. até ao Rio. Se decidirmos esta rota perdemos Machu Picchu o Peru e a Bolívia, alem disso eu já conheço a rota de Natal até ao Rio...
A opçaõ mais longa segue pela costa das Caraíbas até à Colombia onde apanhamos a PanAmericana e atravessamos o Equador, o Peru e a Bolivia até virar para Leste e atravessar todo o continente até ao Rio. O inconveniente desta rota é que perdemos a travessia da Amazónia e a Gran Sabana na Venezuela para além de a PanAmericana ser uma seca!
A rota
mais complicada é, como não poderia deixar de ser, a nossa favorita! Saindo do Mar da Caraíbas seguimos para Sul atravessando o Delta do Orinoco, aí visitaremos a maior queda de agua do planeta, o Salto del Angel com os seus 976 metros de altura. Seguimos pela Gran Sabana até à fronteira com o Brasil e a Guyana onde prevemos escalar o Tepuy Roraima. No Brasil atravessamos várias reservas indígenas até chegar a Manaus. Da capital da Amazónia até Porto Velho espera-nos a TransAmazónica,
1100 quilómetros numa das picadas mais difíceis do planeta.
Em Assis entramos no Peru onde atravessaremos a Cordilheira dos Andes até chegar a Machu Picchu onde esperamos ter tempo para relaxar uns dias. Cuzco é a proxima paragem antes de seguir até à costa do Pacifico e às famosas linhas de Nazca.
A rota segue para Leste subindo ao Antiplano Andino até ao 3.830 metros de altitude onde as margens do Lago Titicaca nos guiarão até à Bolívia.
Na Bolivia vamos visitar rapidamente La Paz e seguir pela Estrada da Morte até Corioco, bem no interior da Bolívia. Esta estrada tem um desnivel de 3300 metros em apenas 70 quilometros e é conhecida pelos seus precipícios de mais de 1000 metros. Continuaremos para sul atravessando ao imenso Salar de Uyuni
onde iniciamos a regresso, primeiro atravessando o deserto Boliviano, depois o Pantanal Brasileiro. Já no Brasil contamos atravessar as 85 pontes precárias da picada Transpantaneira
e no final descansar nas aguas transparentes de Bonito. São Paulo fica a apenas 1000 quilometros onde depois de visitar alguns amigos seguiremos para Paraty já na costa Atlântica. A estrada de Angra dos Reis será a ultima desta etapa e será feita degustando todos as enseadas até chegar ao Rio de Janeiro. Acho que já decidimos!!
No mapa a verde a rota realizada em 2006, a vermelho a rota prevista para 2007 (fotos retiradas da internet)
Em Assis entramos no Peru onde atravessaremos a Cordilheira dos Andes até chegar a Machu Picchu onde esperamos ter tempo para relaxar uns dias. Cuzco é a proxima paragem antes de seguir até à costa do Pacifico e às famosas linhas de Nazca.
Na Bolivia vamos visitar rapidamente La Paz e seguir pela Estrada da Morte até Corioco, bem no interior da Bolívia. Esta estrada tem um desnivel de 3300 metros em apenas 70 quilometros e é conhecida pelos seus precipícios de mais de 1000 metros. Continuaremos para sul atravessando ao imenso Salar de Uyuni
terça-feira, fevereiro 06, 2007
O Galego, mais um vadio!
O Enrique Diaz é um amigo Espanhol que conheci à 3 anos no Horizons Unlimited Meeting em Gois. Decidiu juntar-se aos vadios na proxima etapa do projecto de Caracas ao Rio. Não vai ficar por aí, vai seguir viagem descer à Patagonia e subir até à California .... apresentá-lo por palavras é uma tarefa dificil por isso vou deixar que ele próprio se apresente :
Mais desenvolvimentos da Midlife crisis galega em http://7cero.blogspot.com/
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