terça-feira, novembro 23, 2010

Férias!!!!

Viajar em grupo é sempre bom, especialmente quando viajamos com um grupo bem disposto e boa onda como foi o caso das duas ultimas semanas. Durante os últimos 16 dias, eles acompanharam-me em mais uma Adventure Tour MotoXplorers pela Rota Maya, 3200 kms com muitos pontos altos espalhados pelo México, Belize e Guatemala. Mas invariavelmente guiar um grupo é sempre algo desgastante, mesmo quando se viaja com um conjunto de pessoas fantástico como o ultimo e mesmo quando nos divertimos muito fazendo-o. Passamos quase todos os segundos a pensar nos objectivos do dia, no check in do alojamento já reservado, no jantar, no briefing, nas condições das estradas, nas possíveis avarias e em mais mil e uma coisas que envolvem a organização profissional de viagens, pelo menos da forma séria e profissional como a MotoXplorers faz questão de trabalhar. Talvez poucas pessoas entendam, mas depois de duas semanas com tudo perfeitamente planeado, preciso exactamente do oposto, não ter planos, de não saber onde vou dormir, de não me importar se chego ou não a tempo... Por isso parti no ultimo domingo, parti para sul, sem grandes planos, apenas o bilhete de regresso de Caracas daqui a algumas semanas. Parti graças ao Fernando que me emprestou o seu GPS depois de o meu Garmin Oregon ter morrido subitamente, graças ao Luis que me emprestou o seu Safepack depois de ter cortado o meu por ter perdido a chave. Parti graças ao João que me ofereceu as suas reservas de SG filtro, graças ao Rodolfo que poupou a Maria para eu poder viajar nela, e graças ao Miguel que se encantou pela noite mexicana ;) Obrigado pessoal! Agora estou na vila de Melchor de Mencos, na fronteira do Belize com a Guatemala, 600kms que percorri durante o dia de hoje desde Playa Carmen no México. Poderia ter avançado mais, afinal de contas já conheço toda a rota até ao sul da Guatemala, mas não ter a moto em meu nome dificultou e muito as coisas na fronteira para a Guatemala de maneira que caiu a noite e procurei o primeiro alojamento nesta vila fronteiriça. A vila é sinistra, escura, quase deserta. O hotel é um autentico bunker guardado por seguranças com caçadeiras de canos serrados, lá foras soam bangs que ainda não percebi se são tiros ou foguetes. Não costumo ser maníaco com segurança mas hoje acho que vou ficar pelo hotel...

segunda-feira, novembro 22, 2010

A Raimunda e a Maria

A Raimunda é uma Kawasaki KLR 650 de 2002 com cerca de 35000 milhas. Chama-se Raimunda por razoes obvias, é feia de cara e horrível de bunda! Comprei-a no México com a promessa do seu antigo dono que antes da viagem levaria uma boa revisão para se aguentar nos 4500 quilómetros que nos esperam. Mas as peças para a grande revisão da Raimunda não chegaram a tempo e por isso o seu proprietário mexicano, homem que honra compromissos, resolveu vender-me antes uma Suzuki DR650 bastante mais nova e com menos rodagem. Um upgrade que se me deixou algo desapontado no inicio mas que depressa me agradou. Afinal de contas é um negocio melhor, custa o mesmo e é bem mais recente. Alem disso consegue ainda ser mais leve, simples, e tão ou mais fiavel que a KLR. O seu deposito de combustível é um pouco maior que o de origem e mesmo não sendo enorme, tem capacidade suficiente para garantir uma autonomia de 350 quilómetros entre abastecimentos. O seu antigo proprietário montou-lhe tambem um banco Corbin, bem mais confortável do que o de origem. Como preparação final para esta viagem eu montei-lhe 3 acessórios simples, uns alforges, um saco impermeável e um ecrã. Os alforges e o saco impermeável são baratos e universais em termos de modelo de moto, alem disso são fáceis de transportar no avião e essenciais para transportar a bagagem da viagem. O ecrã é mais um preciosismo, não conto andar a grandes velocidades mas a moto não tem nenhum tipo de protecção e pelo menos assim vou um pouco mais confortável. Foi fácil improvisar a montagem, parece que foi feito para aqui. Para terminar um nome, ela precisa de outro nome, afinal não é assim tão feia para merecer o nome de Raimunda. Maria, vai se chamar Maria, a singela e modesta Maria.

sexta-feira, novembro 05, 2010

O Darien Gap

O Darien Gap, ou a A Falha de Darien traduzindo à letra, é uma faixa de floresta virgem que continua a resistir à evolução do mundo moderno. Não há estradas, nem sequer caminhos, a selva é absurdamente densa e repleta de pântanos e rios que impedem a criação de uma qualquer rota que a atravesse. Condições perfeitas para guerrilhas revolucionárias prosperarem e narcotraficantes se refugiarem. No total existem 5 movimentos militares a utilizar o Darien Gap como quintal, as conhecidas FARC, as forças Paramilitares de direita AUC (Automatic Defense Force), o exercito colombiano (que também não é flor que se cheire) e claro várias organizações narcotraficantes regularmente visitadas por missões "especiais" americanas. Temos por isso todos os ingredientes para um dos locais mais perigosos e impenetráveis de todo o mundo, um dos locais que também exerce maior fascínio sobre muitos viajantes. Até hoje apenas 3 pessoas conseguiram atravessar de moto este território, Ron Merrill e Bob Webb em duas estranhas motos Rokon com tracção às duas rodas e 138cc de cilindrada no longínquo ano de 1975. Ed Culberson e o famoso Helge Pedersen foram os outros dois viajantes que nos anos 80 conseguiram com sucesso atravessar o Darien Gap, ambos em BMW R80GS. À 3 anos que devoro tudo o que encontro sobre este pedaço de terra, mandei vir todos os livros que encontrei, passei horas a ler fóruns e websites na internet e tenho-me correspondido com o Capitão Bob Webb, o primeiro motociclista a realizar a travessia. Existe imensa gente que conhece alguém, que por sua vez conhece alguém que já atravessou o Darien a pé, mas depois desta imensa busca o relato mais recente que encontrei data de 2001 de Karl Bushby que desde 1998 anda a percorrer o planeta a pé e mantém um site magnifico Toda esta pesquisa para concluir que sem ir lá e ver não consigo perceber se é o não possível. A região está mais perigosa do que nunca, são frequentes as noticias de raptos e de gente que vai e nunca mais volta. As FARC sofrerem à muito pouco tempo um ataque severo nas suas forças e tudo indica que esta é a pior altura para tentar a travessia do Darien. Não estou com as mínimas esperanças de conseguir, nem sequer vou fazer tentativas estúpidas. Vou apenas analisar o terreno, conhecer a região, ver e desfrutar da viagem até lá, afinal de contas a verdadeira razão desta viagem ;)

terça-feira, novembro 02, 2010

A desculpa.

Para todas as viagens temos de ter uma razão. Eu pessoalmente tenho a mania de chamar as minhas de "projectos". Não sei se é para eu as levar a sério ou se a razão é exactamente a oposta, parar de levar tudo o resto tão a sério. O facto é que algo me chama a atenção para um determinado objectivo, estudo-o, planeio-o, projecto-o e tenho tido a sorte de até agora os ter conseguido executar. Mas na realidade são apenas e só desculpas, desculpas para parar. Parar de me preocupar, parar de pensar, para de ter responsabilidades, parar de levar tudo tão a sério e partir para ver o que o mundo tem para mostrar. A desculpa desta vez chama-se Darien Gap. Uma selva densa e pantanosa que divide a América Central da América do Sul. Um pedaço de terra que representa um dos redutos mais difíceis de atravessar por terra. Para lá chegar tenho antes de sair do México, "cortar" o Belize ao meio, cruzar toda a Guatemala, atravessar as Honduras, subir aos vulcões de El Salvador, descer pela Nicarágua, entrar na Costa Rica e chegar ao Panamá. Só então posso avaliar se é possível ou não chegar à Colômbia por terra. Não é difícil concluir que apesar de todo o "projecto" a florear a coisa, tudo não passa de uma desculpa. Uma desculpa para fugir daqui e não pensar em nada durante umas semanas... Atravessar o Darien Gap é o "projecto", a desculpa que encontrei para ter uma razão para me empurrar a partir, mas é também o menos importante! O caminho para lá chegar é a verdadeira viagem. Parto no próximo sábado.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Gamado à descarada

Pois é um tipo anda distraído, aluado e quando dá conta gamam-nos as coisas mais impensáveis. O domínio Ateaofimdomundo foi surripiado por um tal Peter que mantém um blog em inglês chamado Make a difference. Pois é, eu também não percebo o que uma coisa tem a ver com a outra, mas o que é facto é que ele aproveitou a minha distracção e quando fui renovar a assinatura já não estava disponível. Segundo os meus amigos informáticos isso é mais comum do que nós pensamos, pessoal adquirir domínios que têm algum tráfego para levar os visitantes habituais aos seus websites. Eu sou um bocado alérgico a numero e estatísticas de maneira que não tinha ideia se este blog tinha muitas ou poucas visitas, pelos vistos tinha suficientes para ser gamado. Que se dane, o que não tem remédio remediado está, Peter, faz bom proveito pá! Agora aqui a casa do desassossego passa a chamar-se vadiosilimitada.com Sem pressas e conforme a disponibilidade este blog vai levar uma turbinada, uns retoques de design e um peeling geral. Vai incluir o Projecto Até ao fim do Mundo, outras viagens que fui fazendo nos entretantos e novas vadiagens que já estão a ser planeadas... Os vadios voltam ao activo!

quinta-feira, setembro 23, 2010

Room with a view in NYC

Nunca fui muito fã dos Estados Unidos da América, sempre o achei um país arrogante e tacanho Numa das ultimas vadiagens o voo de regresso fazia escala em Nova York e eu aproveitando a passagem forçada alterei o voo de regresso para explorar a cidade Chegámos de noite e a vista do quarto confirmava a minha previsão, Selva de betão! Mas a manhã trouxe outro animo... durante alguns dias deambulei pela cidade na companhia de um amigo que viajava comigo Para o Romero também era a primeira vez em New York e os nossos interesses eram os mesmos, simplesmente sentir a cidade. depois de alguns dias não foi difícil concluir que quem foi durante este tempo todo arrogante e tacanho fui eu... Os EUA, tal como todos os cantos do planeta, têm o seu encanto. OK os encantos naturais dos EUA são magníficos e NY não é os EUA, mas eu tinha esta limitação, esta dificuldade em sentir interesse pela terra dos red necks. No regresso pensei... ainda bem que não vim antes, provavelmente ficava por cá... o que não teria sido necessariamente mau... apenas seria outra pessoa voltei encantado com a cidade, com a diversidade, com tudo neste pote de gente que faz desta cidade algo único e realmente especial Vou voltar.

sábado, fevereiro 27, 2010

Profissao, Vadio!

Uma vez vadio é dificil parar, passou um ano desde o ultimo post e desde entao tem sido dificil parar. Em Junho voltámos â Guiné... em Novembro descobrimos o México... E neste momento escrevo desde as montanhas dos Chiapas com a fronteira da Guatemala â vista e para onde esperamos ir amanha. Pois é, agora a vadiagem passou a ser uma coisa séria ;) acompanhe mais esta aqui

Paragem Forçada

Em vez de acordar amarrotado depois de um voo de 12 horas até ao Bornéu como tinha planeado acordei numa cama da uci do Hospital  dos Lusiad...