sábado, dezembro 04, 2010

Piratas das Caraíbas dos tempos modernos.

Se o karma fosse uma religião eu era fundamentalista ;) Contra todas as perspectivas consegui um barco. Bob o capitão é um marinheiro americano aposentado e foi com a minha cara. Precisa de mais mãos úteis a bordo e saquei de todas as minhas credenciais de marinheiro tuga e ele concordou em levar a Maria se eu reparar uma cenas no barco. Durante 5 dias serei canalizador, marinheiro, ajudante e esta será a minha cama nas próximas 5 noites. Hoje bem cedo carregamos a moto no Viva, o catamaran de 42 pés do Bob. Pena que a chuva não para e não dá tréguas. O processo de carregamento até que foi simples, 2 cabos ligados aos molinetes e pimba em 20 minutos a Maria está aconchegada no convés do Viva. Gastei mais de uma hora só a amarra-la mas acho que ficou confortável e com boa vista. O Hostal onde estou é uma espécie de meeting point dos capitão locais. São americanos, belgas, neozelandeses, australianos e há até um portugues que infelizmente não está em terra no momento. São os modernos piratas das caraíbas. Resolvem tudo, não suportam estar muito tempo em terra e já correram todos os oceanos do planeta. Pessoas com uma energia e positivismo fantásticos e que me adoptaram de imediato no seu covil caribenho onde o Rum e a musica não pode faltar. Não me custou muito a integrar e estou neste momento tão fã de Rum como eles de Ali farka Toure. Porto Belo apesar da chuva permanente continua a maravilhar-me, os fortes cobertos de selva, os canhões abandonados por toda a vila e o ritmo calmo e sem relógio transporta-nos para aquelas imagens imaginarias de portos de piratas e batalhas maritimas nas costas tropicais. Não me é dificil imaginar a viver aqui, como eles, com eles. Um barco e vontade é o suficiente para sobreviver sem problemas por aqui. Bom mas chega de paleio e internet, nos 5 dias que vêm por aí não haverá net, nem telefone, nem barulho, nem nada, só mar e espero que sol. Espero também que esta tempestade tropical pare e não nos acompanhe até alto mar, se isso acontecer vamos passar um mau bocado e a Maria não sabe nadar.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Preso no Panamá

As viagens têm sempre momentos assim, alturas em que tudo parece se conjugar para nos contrariar. À 3 dias que estou no Panamá a receber más noticias. Primeiro o barco que tinha marcado saiu 2 dias antes do previsto. Depois o segundo barco que consegui partiu o motor e não fará a viagem. Mas não termina por aqui, a minha tentativa de chegar a Yaviza, a vila mais perto do Darien Gap foi rapidamente interrompida por barreiras policiais que pura e simplesmente não deixam gringos descer mais. Perante tal cenário procurei informações no aeroporto para enviar a Maria para Bogotá na Colombia. 905 USD para ela e 400USD para mim, ugh... Conheci 2 mexicanos com a mesma dor de estômago que eu. O Marcos e o Aldo estão a descer até ao Brasil em duas 125cc e mantêm um site fantástico. www.volandoenmoto.com/ São excelente rapazes com uma atitude fantástica. Mais tarde juntam-se mais 2 mexicanos que viajam juntos numa Yamaha 1600cc e juntamos esforços, trocamos contactos e combinamos dar noticias de cada uma das soluções que formos encontrando. O voo está fora de questão, mesmo sendo estupidamente caro. Segundo as noticias que chegam da Colômbia o país está inundado e tem muitas estradas e pontes destruídas o que tornará impossível chegar a Caracas. Estou por isso encurralado no Panamá e sem saída previsível. Perante tantas adversidades decidi ir a um barbeiro local, rapar cabelo, barba e definir uma estratégia de fuga. Gosto de cortar o cabelo em viagem, os barbeiro e os bairros onde se situam são normalmente pouco turísticos e bastante representativos do dia a dia de um determinado país. De cabeça fresca e ideias novas saio da cidade do Panamá e dirijo-me à costa caribenha à procura de uma dica que recebi. O Panamá é o país dos boatos, toda a gente conhece alguém que sabe como é, onde se consegue e qual a melhor maneira. Consegui alguns números de telefone de capitães de barcos em Puerto Belo e é para lá que vou. Vou ficar no hostal do Captain Jack um local conhecido por reunir muitos dos capitães que navegam nestas águas e que me podem levar para Cartagena das Indias na Colombia. Puerto Belo é uma vila deliciosa, vive-se um ambiente tipicamente caribenho na baia que já foi o porto mais importante das Indias Espanholas. Agora quem o governa são os modernos piratas das caraíbas, capitães reformados de todas as nacionalidades que não deixam nada a desejar aos antigos piratas, nem nas mascotes que trazem ao ombro. Por aqui já passou Colombo, Drake e o temível pirata Henry Morgan. Este era o ponto de transito para todas as riquezas do novo mundo, do Peru ao Mar da Prata era aqui que se juntava todas as mercadorias para a travessia do Atlântico até Espanha. O forte Espanhol construído para defender este entreposto dos piratas ainda está de pé e mantem a sua imponência. A antiga aduana foi restaurada e é agora um mini museu que mostra artefactos das batalhas que tiveram lugar nesta baía. Agora a única batalha é a minha, a de convencer um capitão a me levar até Cartagena das Indias e daí conseguir chegar a Caracas.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Pura Vida en Costa Rica.

Despedi-me de La Fortuna finalmente com um vislumbre do vulcão Arenal. A Costa Rica é uma espécie de Suíça da América Central. Limpa, arranjada e cara.Há que poupar por isso as minhas refeições têm sido bastante baratas e saudáveis. A norte da cordilheira central da Costa Rica o tempo abriu e o sol voltou a acompanha-me. O Sol e grandes plantações de bananas que tanta fama deram a este país. A floresta é tão imensa que se torna muito difícil captar isso em foto, há que estar aqui para testemunhar a pujança deste verde imenso. Apenas nos rios se consegue ter luz e amplitude suficiente para conseguir algumas imagens que pouco espelham a grandiosidade da floresta deste país. A Costa Rica está repleta de Reservas Naturais, desde a minha entrada cruzei uns 11. Ver animais é por aqui fácil, basta estar atento a miúdos na beira da estrada a olhar as arvores que isso normalmente quer dizer bicho. Já vi preguiças, tucanos de várias espécies, papagaios, araras e cobras. A cobra coral afinal era uma falsa coral, inofensiva, soube a diferença num serpentário aqui de beira de estrada, o rapaz diz que se fosse a verdadeira tb tinha riscas amarelas. Deve ser mais uma artimanha para cativar turistas ;), ainda bem que ninguém me veio pedir 20USD por fotografar a bicha. Voltei ao Caribe com sol mas as nuvens ameaçadoras continuam no horizonte. Cheguei cedo por isso tive tempo de procurar um bom local para dormir. Acabei de encontrar um perfeito. Uma praia soberba com um bar de apoio e uns anfitriões simpáticos. Têm uma casa para alugar mas é cara, dormir na praia é chuva nocturna na certa por isso entro em negociação e consigo 25USD por uma casa na praia mais bonita da Costa Rica e arredores. Esta é só pra mim. O Stan e a Maria são um casal búlgaro que deixou o stress e descobriu este paraíso. Compraram um pedaço de terra, uma casa e um bar e aqui vivem felizes. Dá que pensar né. A manha seguinte sigo a minha rotina, um mergulho substitui a caminhada matinal depois fico a contemplar a praia e a tempestade que se aproxima. É bom seguir o ritmo da natureza, chove, então pára e espera que passe. Obrigado Maria, Stan and Kiko O Panamá é a poucos quilómetros de Punta Uva, a fronteira é novamente chata. Passo pela rotina habitual com a paciência habitual, fotocopias, seguro, fotocopias e policias a quererem sacar algum. Dizem que vão revistar tudo, eu aceno com a cabeça e acendo um cigarro enquanto abro as malas. Puede seguir dizem eles de imediato, viram as costas e não chateiam mais. O meu aspecto deve ajudar, barba de 3 semanas, cabelo emaranhado pela humidade e pelo capacete, moto e roupa toda suja.... pareço mais miserável que muitos locais. As estradas boas continuam no Panamá, desta vez acompanhadas por uma costa rendada e montanhosa de onde se podem ver as ilhas Bocas del Toro, um dos ex-libris do Panamá. Deixo a costa do caribe e volto a apontar para o Pacifico. Pelo caminho tenho de atravessar a cordilheira do norte do país que está coberta de nuvens. As nuvens não enganam e poucos quilómetros depois começa o nevoeiro e a chuva miudinha. Chego ao topo e vejo finalmente uma nesga de sol, parece que do lado de lá vou ter bom tempo. Não! a chuva continua e acompanha toda a descida até à PanAmericana. O meu poiso hoje será numa reserva maritima que envolve uma série de ilhas conhecidas como Bocas Bravas. Chego que nem um pinto a um Fishing Lodge onde me dizem que é privado. Com ar superior dizem abrir uma excepção e alugam-me um quarto por 100 dolares. PQP!!! Sigo ensopado para o lado nativo da aldeia e descubro o único hostal de Boca Chica. Aqui não há restaurantes nem mercados nem internet nem nada. Convenço a senhora a fazer-me uma cena simples e bato meu record pessoal, adormeço às 7h30. Amanha vou para a cidade do Panamá.

Paragem Forçada

Em vez de acordar amarrotado depois de um voo de 12 horas até ao Bornéu como tinha planeado acordei numa cama da uci do Hospital  dos Lusiad...