terça-feira, abril 12, 2005

Marinheiros de primeira viagem.

Graças à ajuda da Transinsular, todo o processo de repatriamento das motos está garantido. Incansáveis e prestativos esclareceram-nos de todas as etapas complicadas que são necessárias num processo deste tipo. Foi aliás este apoio que despoletou todo o calendário desta viagem. Mais que transportar as motos, disponibilizaram lugar para acolher dois marinheiros de primeira viagem. Se tudo correr como previsto, Carlos Azevedo e Arménio Teles acompanharão as motos e embarcarão num navio mercante em Bissau no dia 6 de Maio. Uma viagem estimada em 4 dias de alto mar que será só por si uma aventura, a chegada a Lisboa está agendada para dia 10 de Maio. Ao grupo ETE e à Transinsular o nosso muito obrigado.

Pneus Continental TKC80

Hoje o dia começou bem, recebemos a confirmação de que a Continental Pneus, vai apoiar o projecto. E o seu apoio não se limita a esta etapa, vai fornecer os seus fantásticos TKC80 para todas as etapas do projecto. Sem duvida uma situação que muito nos tranquiliza, os TKC80 são já nossos velhos conhecidos, há mais de 5 anos que só calçamos as nossas motos com eles e todos somos testemunhas sua qualidade e durabilidade.

segunda-feira, abril 11, 2005

Etapa Lisboa-Dakar-Bissau

A vontade de realizar esta rota vem “atormentando” os meus sonhos desde 2003. No ano passado, em conjunto com outros Nomad’s quase que avançamos com esta viagem, mas circunstancias várias ditaram que em vez de Bissau, rumássemos ao interior da Mauritânia. Este ano a coisa não parecia possível, vários compromissos familiares e profissionais deixavam adivinhar um ano sem “grandes viagens”. Quis o destino que as coisas se proporcionassem e fossem reunidas as condições para avançar com o projecto “Até ao fim do Mundo” . Em conversas informais e descontraídas sobre os meus sonhos de grandes viagens, 3 outros nomad’s mostraram interesse em realizar a mesma rota e com a mesma postura com a qual pretendo realizar todo o projecto. Descontraidamente, sem stress, sem carros de apoio, sem ritmos obrigatórios e com tempo disponível para desfrutar todas as sensações que estas regiões oferecem a quem tem o privilégio de as visitar. Os preparativos seguiriam o método “inshahla”. Nada de grandes planos, apenas um objectivo; sentir a terra e chegar a bom porto! Eu (BMWR1100GS), o Carlos Martins (BMWR1150GS Adventure) o Arménio Teles (BMWR1150GS) e o Miguel Casimiro (Honda Varadero) começamos a conversar mais seriamente sobre esta viagem só em Março desde ano. Numa série de semanas muito produtivas conseguimos transporte marítimo das motos e depois disso já não tínhamos desculpa para não fazer esta viagem. Na semana passada, avançamos decididamente para a aventura: Vistos, cuidados médicos, Carnet, documentação das motos e todos os preparativos para que não tenhamos problemas nas difíceis fronteiras desta zona de Africa foram sendo tratados. O André Espenica, o Luis Lourenço e o Bernardo Feio, têm vindo a dar uma ajuda preciosa nos preparativos, a eles desde já o nosso muito obrigado. Falta ainda muita coisa, mas pouco a pouco tudo tem vindo a ser preparado e é já no próximo sábado que partimos para a estrada!

Até ao fim do Mundo, O Projecto!

O filosofo Aristóteles foi o primeiro a sugerir uma divisão da terra com base nas diversas condições climatéricas determinadas pela latitude. Já por essa altura era clara a grande variedade de ambientes que caracterizavam as diversas latitudes. Hoje as diferenças são ainda mais obvias, mais do que condições climatéricas distintas, as várias latitudes tem uma enorme diversidade sócio-cultural provocada por milénios de adaptação e séculos de influencias entre povos de regiões diferentes. De sociedades tecnologicamente avançadas, como as do norte da Europa, passando por miscelâneas culturais como na América latina, até às sociedades tribais na Amazónia e em Africa, esta viagem será confrontada com uma variedade incrível de ambientes e culturas que tornarão este projecto uma experiência única. Numa rota que atravessa de Norte a Sul todo o planeta um Oceano divide obrigatoriamente a viagem em duas etapas. A escolha de Bissau e Caracas duas cidades aproximadamente no mesmo paralelo, permite que a rota final, apesar de ter de ser interrompida, não deixe de percorrer por terra todas as latitudes habitáveis por terra.

Até ao fim do Mundo, a Rota!

A Rota Partindo do Cabo Norte na Noruega em pleno circulo polar Árctico a expedição seguirá pela costa do Atlântico Norte recortando o fiordes característicos desta região, seguindo depois pelo norte da Finlândia e pelas intermináveis florestas de cedros do Interior da Suécia até ao mar Báltico. As auto-estradas da Europa central rapidamente levarão a expedição pela Dinamarca, Alemanha, Holanda, França e Espanha até ao Mediterrânico.A entrada em Africa terá lugar em Marrocos, depois da travessia do estreito de Gibraltar, onde uma drástica mudança de ambiente e cultura marcarão a segunda parte da expedição. Com a travessia da cordilheira do Atlas chega o Sahara e as suas famosas dunas. Aqui uma das etapas mais difíceis desta expedição terá lugar, sem estradas e por zonas onde o GPS será a única referência é necessário ultrapassar as dunas do maior deserto do planeta para chegar às savanas da Africa Central. Seguindo pelo Sahara Ocidental cruzando o trópico de câncer e pela Mauritânia (uma rota já realizada de moto pelo autor) chegará o rio Senegal que marca a fronteira entre a Africa Islâmica e a Africa Negra. O deserto dá lugar à savana, às pistas de pó vermelho e a aldeias paradas no tempo. O desafio seguinte chama-se Gambia onde as florestas tropicais húmidas trarão sem duvida algumas dificuldades acrescidas. A Guiné-Bissau será o ponto final desta etapa da expedição, aqui uma visita ao arquipélago dos Bijagós servirá para retemperar forças para a segunda metade da expedição na América do Sul. O Mar das Caraíbas marca o início da etapa que atravessará toda a América do Sul. Partindo de Caracas e seguindo sempre pelo interior da Venezuela a expedição irá avançar pela floresta Amazónica cruzando várias reservas indígenas que nesta região estão distribuídas pela Venezuela, Guiana e Brasil. Um dos pontos altos desta etapa é a travessia da trans-amazónica, uma estrada permanentemente em construção e permanentemente invadida pela floresta. Já no coração da Amazónia, em Manaus, onde o rio do Amazonas é a única via de circulação a expedição embarcará num navio que demorará 4 dias a chegar à foz do maior rio do planeta e à cidade de Belém do Pará. Já na costa do Brasil a expedição seguirá para sul cruzando todo o nordeste passando por locais tão emblemáticos como Salvador da Baia, Porto Seguro, Ouro Preto e Petrópolis até chegar à cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Retemperadas as forças no Rio de Janeiro chega a altura de rumar a Oeste na direcção do Oceano Pacifico e do Chile. Mas para chegar lá à que atravessar todo o continente. Primeiro o interior Sul do Brasil, o Pantanal e a famosa transpantaneira, onde o tempo necessário para atravessar as 148 pontes de madeira precárias vai permitir desfrutar a vida selvagem deste local exuberante. Depois as cataratas do Iguaçu, as florestas do Paraguai a Argentina e finalmente outro dos pontos altos desta expedição, a Cordilheira dos Andes. Esta Cordilheira se estende por milhares de quilómetros tem algumas das estradas mais perigosas do mundo e a sua elevada altitude chega a criar problemas respiratórios a quem ousa atravessá-la. Um desafio que vai ser necessário superar e que tem como prémio a chegada ao Chile e ao Pacifico. A famosa estrada Pan-Americana guiará a expedição de novo para Sul e de novo para a Argentina onde as vastas planícies desérticas da Patagónia serão a única paisagem visível durante vários dias. Os primeiros Glaciares da Cordilheira Patagónia vão marcar o retorno a latitudes extremas e a famosa “ruta 40” guiará a expedição à “Tierra del Fogo” e a Ushuaia, o local mais austral do Planeta. O regresso ao Brasil será efectuado pela costa Atlântica da Argentina e Uruguai até terminar de novo no Rio de Janeiro, onde moto e autor serão embarcados no avião de volta para Lisboa. Em Manaus a rota pode sofrer uma alteração que apenas no local poderá ser decidida. A inexistencia de estradas e as condições metereologicas inesperadas podem não permitir a travessia da Cordilheira do Andes em direcção ao Peru. No entanto, e devido à grande ajuda do Big Trail Moto Clube Brasil, é uma hipotese que se mantem em aberto. Este clube que acompanhará e apoiará esta expedição em toda a America do Sul tem já um invejável curriculum em viagens para o Peru e Bolivia, com passagens pelos locais mais emblemáticos da America Pré-Colombiana, Cusco, Machu Picho e Titicaca. (*A azul no mapa) Se as condições o permitirem a rota depois de Manaus seguirá para Oeste em direcção a estes locais arqueológicos, onde encontrará a estrada PanAmericana até Santigo do Chile. De Santiago a viagem retomará a sua rota prevista

Morre lentamente...

Morre lentamente... quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos... Pablo Neruda (com a autorização e aprovação da Dra. Rute)

Paragem Forçada

Em vez de acordar amarrotado depois de um voo de 12 horas até ao Bornéu como tinha planeado acordei numa cama da uci do Hospital  dos Lusiad...