quinta-feira, junho 21, 2007
Sobrevivemos!!!
Foi duro, foi muito duro mas estamos são e salvos depois da 3 dias demolidores para as motos. Chegámos ontem a Humaitá depois de 670 kms atravessando a amazonia pelo meio de atoleiros muito dificeis, pantanos, areias movediças e onças à espreita.
Há quem diga que Deus proteje os audazes, nós gostamos de acreditar na nossa sorte de "Inshalah", o certo é que nós somos realmente abençoados com momentos maravilhosos. Estes ultimos 4 dias provaram isso mesmo.
Na balsa que cruza o Rio Negro, atravessa o Amazonas e entra no Rio Solimões conhecemos o Osmar, ele nos alertou para os perigos do asfalto esburacado até à proxima balsa em Castanho onde pertendiamos dormir nessa noite. Se ofereceu para nos guiar pois caí uma neblina forte na floresta alagada desta região e de noite fica muito perigoso. Aceitamos a sua generozidade e seguimos ele até 30 kms antes de Castanho, aí fica sua fazenda e ele prontamente nos convidou para pernoitar lá. A noite foi magnifica, dormimos em redes e em tendas no alpendre da fazenda depois de um duche ao ar livre directamente da caixa de agua e de um frango á passarinha delicioso feito pelo Jeová, o irmão de Osmar. No dia seguinte depois de uma caminhada ao nascer do sol, Osmar no levou a Castanho, abastecemos cerca de 45 litros de combustivel por moto, agua e comida e dissemos adeus à civilização.
Os 2 dias que se seguiram foram duros, começamos com pista boa e rolante mas logo apareceram os lameiros ou como chamam aqui os atoleiros. O barro aqui é muito fino e cola de uma forma incrivel, 500 metros depois do primeiro foi feita a primeira paragem técnica para desmontar os para lamas dianteiros das Tenerés. A lama e as enormes crateras são muito duras para a transmissão, a minha saltou duas vezes e foi necessário esticar um pouco todas no fim do dia. Como já disse a nossa sorte "Inshaláh" presenteou-nos com uma pousada maravilhosa do lado de um rio dourado com o por do sol. Vimos uns meninos dando uns mergulhos nas margens do rio e resolvemos dar umas braçadas rio adentro (inconscientes.... mais tarde soubemos que todo o rio aqui tem anaconda, jacaré, piranha e mais um sem fim de bichos assim...) Mais uma vez montámos a rede e dormimos num telheiro com uma vista inesquecivel,
no rio um boto (golfinho de "agua doce") veio fazer a sua visita diária à aldeia e procurar os peixes que as crianças lhes oferecem sempre à mesma hora. Acordámos com o nascer do sol como já é nosso hábito, comemos umas frutas, um café e segue viagem.
Aqui começamos a atravessar a região mais isolada do percurso, atravessámos mais de 400 kms sem ver um unica pessoa, um sitio, uma fazenda, nada... a unica coisa que se
vê é floresta, mata, pantanos e rios, mesmo a vida selvagem é dificil de ver, sabemos que está lá, dá para ouvir e sentir o mexer das folhagens mas não se vê nada para dentro da floresta densa. Desde que entrámos no Brasil que nos falam que somos doidos de fazer esta estrada, dizem que tem muita onça (felino tipo jaguar) e que ataques a humanos não são raros por aqui, quem vai de carro ainda está protegido mas de moto estamos muito expostos. Resolvemos esse problema com a compra de algumas catanas "para defesa pessoal" e muito espirito Inshalah, quando tinha uma paragem um ficava sempre de guarda... ainda vimos um dorso negro mexendo no mato... e uns olhos amarelhos... mas não deu para perceber o que era...
A pista é muito dura, existem crateras enormes, estamos no inicio da epoca seca mas ainda tem muita lama na pista, nos poucos pedaços de asfalto que resistem aos 30 anos de abandono encontramos degraus com 20 cms com ponta afiada e tudo isto é muito destruidor para as motos. Não conseguimos um ritmo que ajude a arrefecer os motores, não conseguimos passar de 2ª ou 3ª, as motos enterram tanto na lama que as malas batem no chão, mais uma corrente que sai, uma mala que caí, uma moto que engasga numa poça, enfim... não conseguimos adiantar muito e sem aldeias nos proximos 300kms só nos restou procurar o refugio do interior da vedação de uma das antenas da Embratel, nessa noite o zoológico era invertido, nós que estavamos no interior da vedação e a bicharada do lado de fora... em compensação um céu que não deixa muito a dever ao das noites no Sahara.
A noite começou por ser complicada, a agua estava a terminar, a comida era pouca e o cansaço era muito, encontrámos um poço e reabastecemos as forças, filtramos, tratámos e fervemos a agua. Como entrada uma sopa de carne, depois como segundo prato um atum com tomate, um chá delicioso para acompanhar e para digestivo uma cachaça.... uma noite no meio da selva até que não é tão dificil assim!!!
Ontem com energia reforçada e com a vontade de encontrar uma cerveja gelada devorámos 300 kms de pista e pouco mais de meio dia, os buracos aumentaram os lameiros tb, mas não sei como achamos tudo bem mais facil ontem e às 2 da tarde já tinhamos a merecida cerveja na primeira aldeia depois de 425 kms de selva. Na entrada uma placa anuncia "Bem vindos a REALIDADE", não consigo imaginar um nome mais adequado para uma aldeia no fim da Trans - Amazonica.
Agora estamos em Porto Velho a reconstruir as motos, já fizemos algumas reparações em Humaitá onde passamos a noite de ontem, mas o deposito da Floribela está com uma fuga e é necessário soldar algumas peças nas restantes motos, o Douglas da FOXMOTOS está nos dando uma ajuda preciosa e já nos deu contactos de mais amigos em Rio Branco e Peru, é para lá que vamos daqui a pouco.
Podem ver mais algumas fotos recentes aqui: http://ateaofimdomundo.smugmug.com/gallery/3006282#163148440
sábado, junho 16, 2007
BR 319 - TransAmazonica
Daqui a alguns minutos vamos sair de Manaus, vamos atravessar a junção das águas do Rio Negro e do Rio Solimões e entrar no Rio Amazonas. Do outro lado do Rio espera-nos uma das mais dificeis estradas do Brasil, uma estrada abandonada desde 1977 e reclamada de volta pela floresta. Nos últimos dias temos recolhido informações sobre autonomia necessária e estado da estrada, resolvemos arriscar, de barco são 4 dias subindo o Rio e nós gostamos é de andar de moto.
A net aqui é muito lenta e não conseguimos carregar fotos, é pena, as paisagens são magnificas e temos algumas imagens boas, vão ter de esperar até encontrarmos net a boa velocidade.
O Gau, o Harles e o Sousa receberam-nos em Manaus como Reis, ontem tivemos direito a um concerto no famoso Teatro Amazonas seguido por uma degustação dos peixes mais saborosos destas águas. A noite acabou tarde de novo, mas hoje acordámos decididos a iniciar a travessia para Porto Velho. Temos pena de não encontrar o Cícero, ele chega hoje de noite, mas ainda temos muitos kms pela frente e não podemos ficar mais tempo em Manaus. Esta cidade vai ficar na memória, a sua energia é enorme, os amigos que conhecemos vão engrossar a nossa já vasta família brasileira mas a vontade de não sair daqui foi superada pela necessidade de avançar na viagem... o tempo, sempre a falta de tempo...
Não sabemos ao certo quantos dias vamos demorar, são 1100 kms de estrada de terra, lama, florestas e centenas de rios para atravessar, com ou sem pontes, depois se vê... inshalá. Vamos necessitar de 680kms de autonomia, água potável, comida e muiiiito repelente. Contamos voltar a dar noticias de Porto Velho lá para dia 21 ou 22... até lá!
sexta-feira, junho 15, 2007
Manaus, 35 graus!
quinta-feira, junho 14, 2007
Xevere Venezuela... Oi Brasil !!
segunda-feira, junho 11, 2007
Só mais umas fotos...
domingo, junho 10, 2007
Mundo Perdido
O mundo perdido existe e é aqui!! Chama-se Parque de Canaima e fica no centro da Venezuela!!
Sexta feira passada acordámos cedo, tínhamos uma avioneta marcada para Canaima, uma aldeia indígena que serve de base para explorar a zona oeste do parque com o mesmo nome. A viagem é curta e divertida, voamos baixo e podemos ver a densa floresta interrompida por inúmeros rios e centenas de rápidos e cascatas.
Aterramos a escassos metros da lagoa de Canaima, um lago enorme alimentada pelo rio Carrao via 3 imensas cascatas, aqui chamados de "saltos" o salto Golondrina, o salto Huchas e o salto Ucaina. "Descansamos" na praia de areia branca da lagoa com uma cerveja fresca na mão, a agua está quente e a temperatura é perfeita.
A meio da tarde entramos numa canoa com Miguel, o nosso guia indígena, a Marta e Mateo, um casal italiano que completa o nosso grupo. Atravessamos a lagoa, vemos os 3 saltos de perto e saímos para a ilha Anatoliy para a primeira caminhada do dia. Visitamos o salto Sapo e o salto Sapito, nesta cascata é possível atravessar de uma margem à outra por trás da cortina de agua. Uma experiência não deverá ser muito diferente de estar dentro de uma maquina de lavar, a agua tem uma força tremenda e enche o ar com uma pressão que torna difícil respirar. A agua vem de todos os lados, bate nas rochas com violência, é como estar dentro de agua e conseguir respirar...se bem que dificilmente.
Nova caminhada e do alto da cascata vemos a Gran Sabana em toda a sua dimensão, zonas de floresta densa, zonas de savana plana, muito verde e colorida com palmeiras e os famosos tepuys.
Os tepuys são montanhas de pedra massiça que sofreram milénios de erosão, erguem-se na planície de floresta e as suas encostas são como muralhas gigantes, paredes rectas com mais de 2000 metros de altitude. O maior de todos eles tem 700 quilómetros quadrados e chama-se Auyantepuy em língua nativa, significa Montanha do Inferno. Segundo a mitologia das tribos Pemon o topo deste tepuy é habitado por espíritos malignos que eles chamam de "Mawaritón", esses espíritos tem a companhia de uma divindade superior, "Tramán-Chitá" que estabelece o equilíbrio entre o bem e o mal nesse mundo isolado que é o topo do Tepuy.
É para o Auyantepuy que vamos, o Salto Angel fica num dos seus canyons, no "Canon del Diablo" e para lá chegar é preciso subir o rio Carrao e o Rio Churún e entrar bem fundo na Gran Sabana. Na sexta feira ficámos a meio caminho, depois de 2 caminhadas e 4 horas de barco montamos a rede no "campamento Aonda" situado na "Isla El Orquidea" bem no coração da selva e rodeados por tepuys.
O dia foi fantástico mas cansativo, o Casimiro sempre que ficava um minuto parado, adormecia, dormiu na avioneta, no barco, deitado nas pedras das cascatas, em pé... o coitado sente falta do seu bife e está com pouca energia :) o esparguete do jantar só tinha vegetais e isso deixou-o desesperado :)
Pôs-se o sol e chegou a neblina, a floresta é impenetrável e os poucos caminhos que saem do acampamento terminam rapidamente no rio, não há estrelas, o céu está sempre carregado por estas bandas. Eram 8 da noite e já todos preparávamos a rede, o som da floresta é menos intenso do que esperávamos mas a noite foi uma delicia, pelo menos para mim, o resto do pessoal queixou-se das costas...
Acordei eram 5 da manha e assisti sozinho ao nascer do sol, o meu primeiro nascer do sol na floresta, um momento que degustei lentamente,
a neblina começa a subir à medida que o sol aparecia no meio do Wei Tepuy (montanha do Sol), as cores da floresta brilham com a humidade da noite, o silencio é interrompido por sons dos ninhos da árvore em frente ao acampamento e ao longe passam bandos de pássaros coloridos.
O pequeno almoço foi rápido e novamente à base farinha de milho frito e doce, são duas horas de canoa até ao acampamento base do Salto Angel na "Isla Ratoncito", pelo meio atravessamos vários rápidos que nos deixam completamente ensopados, mas a 27 graus sabe bem. Acompanhamos durante todo esse tempo o Ayantepuy, do seu cume saem centenas de cascatas que riscam de branco as suas paredes rochosas, finalmente temos o primeiro vislumbre do Salto Angel.
O "Salto Angel" foi assim chamado depois de um explorador americano, Jimmy Angel, ter tentado aterrar no planalto do tepuy e ter inutilizado com essa manobra o seu avião. O verdadeiro nome em Pemon desta cascata de 986 metros de altitude é Kerepacupai Meru (cascata do céu)e é efectivamente uma maravilha da natureza. A caminhada para chegar ao mirador dura uma hora de subida íngreme pela floresta, tudo está permanentemente húmido pelo spray da cascata essa humidade é perfeita para algumas plantas exóticas como a "lábios uma pequena planta carnívora.
Chegámos ao mirador e tivemos a devida recompensa, a neblina permanente do topo do tepuy dissipou-se e podíamos ver a cascata em toda a sua dimensão brilhando com o sol da manha. Magnifico!!
Apreciamos o momento durante algum tempo e continuamos a subida até ao poço da cascada onde saboreamos um duche na maior cascata do planeta.
Na volta, almoçamos "pollo embaraçado" frango grávido????? mas mais tarde percebemos que se tratava de frango em vara assado :)
No caminho para a acampamento apanhámos uma chuva tropical das fortes, como se isso não fosse suficiente ainda apanhámos com valentes ondas nos rápidos de Mayupa o resultado foi chegamos molhados até aos ossos mas muito satisfeitos. Nao fosse a chuva intensa e talvez tivéssemos voltado a Cidad Bolivar ainda ontem e assim ganho um dia em relação ao nosso calendário, mas com tamanho espectáculo da natureza nao ficámos muito tristes por passar mais uma noite na selva...
Agora estamos todos de volta ás instalações da Adrenalina Tours em C. Bolivar, o Casimiro já teve direito ao seu bife, vamos passear um pouco pela cidade, esperar que refresque um pouco e arrumar tudo para amanha arrancar para a estrada bem cedo, próximo destino; Gran Sabana
sexta-feira, junho 08, 2007
Finalmente na estrada!
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