quarta-feira, maio 18, 2005

Diario, dia 33 - o Fim da etapa Lisboa-Bissau

Finalmente e depois de uma semana angustiante esta etapa do projecto "Até ao Fim do Mundo" chegou ao fim. Ontem chegou o navio Remo II que transportava as motos. Chegaram em prefeitas condições e mais uma vez a ajuda da Transinsular foi preciosa nas burocracias intermináveis de alfândega e descontentorização. Hoje foi o dia em que formalmente acabou a viagem, fomos recolher o cheque caução necessário para os carnet's e comemoramos com satisfação o final da viagem. Estamos finalmente descansados. Agora venha a próxima....

segunda-feira, maio 09, 2005

Diario, dia 24 - A espera angustiante...

Todos já voltámos ao trabalho e à rotina diária. Mesmo super atarefados todos continuamos muito angustiados com a ausência das nossas motos. Enviar as motos de navio é uma experiência nova para nós e quando não se tem outra moto para ir matando saudades a coisa fica mais difícil ainda. Acabei de falar com a Transinsular e tudo parece estar a correr como o previsto e em principio o navio que as transporta, o Remo II, chega a Lisboa no próximo domingo.

sexta-feira, maio 06, 2005

Diario, dia 21 - Lisboa

Já estamos em casa!! Ontem resolvemos regressar de avião, felizmente tínhamos já feito uma reserva no inicio da semana e fomos adiando o pagamento até à chegada do navio, senão tínhamos ficado em terra. Uma autentica multidão está acumulada na Embaixada portuguesa e nos escritórios da TAP em Bissau. Fomos avisados nos escritórios da Tap para estar bastante cedo no aeroporto não fosse algum ministro Guineence decidir ir a Lisboa e nós ficaríamos em terra, os lugares estão marcados mas só até à chegada de alguém mais importante..... e como só há dois aviões por semana resolvemos não arriscar. Só tivemos tempo para a ultima fresquinha com os respectivos camarões no Tamar e uma passagem rápida para acabar com os francos africanos no mercado de artesanato. A espera pelo avião foi interminável, o Teles adormeceu nos bancos da sala de embarque, ele dizia que não mas estava nervoso com a sua primeira viagem pelos ares ;-))) O Casimiro ao seu estilo habitual esteve há conversa mais de 3 horas com o dono da única loja Tax free do aeroporto e eu fui investigar e me dei bem ;-)) entrei na sala vip com a maior cara de pau e como ninguém me perguntou nada fiquei lá a comer aperitivos e a beber cerveja até chegar o avião ;-))) Finalmente o avião chega, descarrega os passageiros e o embarque começa, o avião não passa mais de uma hora em Bissau e 4 horas depois estamos em Lisboa. Amanhã começa outra aventura, o trabalho!!

quinta-feira, maio 05, 2005

Diario, dia 20 - Bissau

O último dia em Bissau foi algo monótono, sem motos aproveitamos para andar pela cidade. Apesar de muito bonita a cidade está muito degradada, tudo o que se estraga não se arranja, e muitos são ainda os edifícios que estão marcados com as balas e morteiros da ultima guerra. Os buracos nas ruas são inacreditáveis e a escuridão total da cidade só interrompida pelo som dos geradores. Apesar da escuridão a noite e movimentada, em todas as esquinas vende-se caju, amendoim, sumos, ovos e sandes. Tudo isso contribui para uma atmosfera única nesta cidade. Sem duvida de todas as cidades que esta viagem visitou esta é a mais agradável. Praticamente todas as construções são dos anos 60, vivendas bonitas com grandes jardins e ruas largas ladeadas arvores carregadas de mangas. Mesmo degradadas e muitas delas abandonadas impressionam, esta deve ter sido uma cidade magnifica no seu auge. Durante a manhã optámos por visitar uma das duas piscinas de Bissau, a do hotel Sheraton. O local estava vazio apenas alguns empregados cuidavam da antiga messe do Oficiais que hoje em dia dá lugar ao mais luxuoso hotel da cidade, deu para descansar bem... Visitamos o Mercado Central e o mercado do Bandim, este ultimo é o maior da Guiné e muito semelhante à Medina de Fez em Marrocos, ruas estreitas cobertas com canas, cheiros intensos e tudo o que se pode imaginar é comercializado ali num movimento permanente. Apesar do aumento de militares nas ruas e de se notar alguma tensão no ar, os Guinenses permanecem muito tranquilos, dizem que já estão habituados, que a culpa da instabilidade é de meia dúzia de "cabeçudos" que vivem à porrada por conseguir mais poder. Apesar de bastante rica a Guiné Bissau esta na mão dessa meia dúzia e não fosse a quantidade absurda de frutos e terra fértil e os problemas seriam bem mais graves. A grande maioria do povo não quer saber da política, todos são unanimes de dizer que a guerra é a pior coisa que pode acontecer há Guiné. Vamos fazer figas para que tudo corra bem e a Guiné possa crescer e estável e saudável sem conflitos, o povo fantástico deste país merece. Depois de algumas alterações de ultima hora provocadas pelo atraso na partida do navio e da crescente tensão na Guine, optamos por regressar todos de avião. As motos ficaram já vistoriadas, despachadas e embarcadas ontem há noite e se tudo correr bem chegam daqui a 10 dias a Lisboa. Aí sim esta etapa do projecto "Ate ao fim do Mundo" chega ao fim e podemos começar a pensar na próxima etapa.

quarta-feira, maio 04, 2005

Diario, dia 19 - Bissau

Depois de muitos preparativos finalmente conseguimos enfiar as motos no contentor da Transinsular. O processo foi mais ou menos complicado mas já está, graças a grande ajuda do Sr Rabih da Transinsular e do despachante Ludjero a coisa já está despachada. Agora é esperar pelo navio que está atrasado, estava previsto sair de Bissau a 6 mas já se fala em 7 ou 8 de Maio :-) O Navio ainda nem sequer chegou cá e ninguém nos consegue confirmar o dia, isto é tudo muito calmo..... depois logo se vê... parece que os horários da navegação são mesmo assim, estão muito sujeitos às condições do mar. Optamos por colocar as motos já no contentor hoje, apesar do atraso do navio, porque se a coisa aquecer por aqui pelo menos lá estão seguras (esperemos...) Amanhã o tribunal eleitoral vai anunciar os candidatos que podem concorrer a presidência por isso amanhã acaba a especulação e ou desta tudo ao tiroteio ou fica tudo ainda mais tranquilo. Agora estamos a pé :-( mas já nos desforramos no camarão e numas fresquinhas... a moto de Martins rendeu bem e agora em vez do ATUM e só lagostas :-).... por falar nisso Carlitos todos os dias brindamos a ti.... Estamos a dar uma de turistas... à pouco fomos ao mercado ver os artefactos e logo mais há um jogo de futebol que por aqui é quase uma cerimonia religiosa... parece que combinaram de proposito....todos os dias há um jogo bom ;-) Acho que é tudo... aconteceram algumas outras coisa mas nada de importante.... o Teles foi atacado por um rinoceronte que lhe acabou com a mala de vez.... fizemos uma de fita cola americana.... e o Casimiro furou outra vez a roda de trás.... desta vez pisou um jacaré... mas já está tudo resolvido... O pessoal por aí não se preocupe... isto aqui está calmo, a televisão exagera muito... ninguém aqui está muito preocupado, além disso por aqui somos importantes ;-) todos os dias falam de nós na radio :-))) somos conhecidos, vem pessoal cumprimentar que nem conhecemos e tratam-nos pelo nome e tudo...se existir por aqui uma quinta das celebridades somos fortes candidatos :-))))

terça-feira, maio 03, 2005

Diario, dia 18 - Bissau

A despedida do Martins foi difícil, ficámos de tal forma abalados que fomos afogar as nossas mágoas no bar da moda em Bissau. Ao ar livre com uma temperatura perfeita o serão foi passado na companhia de umas sagres geladas recordando as peripécias da viagem ao som de Lenny Kravitz e Bob Marley. A noite continuou com uma passagem por uma discoteca onde todos deram uns passinhos de Kisomba e Kuduro... A manhã chegou rápido e o ultimo dia com motos teria de ser bem aproveitado, a situação política parece cada vez mais tensa, os rádios falam que a amanhã serão anunciados pelo tribunal os candidatos que podem concorrer à Presidência. De Lisboa chegaram noticias que os telejornais já falam em revolução eminente, o Ministério dos negócios estrangeiros português desaconselha viagens para Bissau e segundo as autoridades portuguesas a Guiné é neste momento um barril de pólvora. Eu e o Casimiro resolvemos surpreender o resto do pessoal e saímos para comprar algo para o pequeno almoço. A cidade está com o seu ambiente relaxado normal, nem parece a mesma cidade descrita pelos noticiários em Lisboa. As pequenas bancas nas esquinas continuam a vender os amendoins e cajus de sempre, ao lado uma velhota vende ovos e bananas com muito bom aspecto, as crianças enchem as ruas a caminho da escola enfim tudo absolutamente calmo. O programa hoje passa por uma visita à praia mais perto de Bissau, uns 25 quilómetros a norte. O Zé vai connosco mesmo sem capacete, o João não pode ir, tem muito que fazer para desalfandegar os camiões para poder começar a trabalhar, há mais de um mês que todos os dias vai à alfândega tratar de burocracias. Passamos pelo mercado de Bandim logo na saída da cidade, o maior mercado da Guiné e pouco depois estamos de novo no meio do mato. O Zé está muito animado, é a primeira vez que sai da cidade, a picada é relativamente fácil e atravessa uma zona pantanosa na direcção de um cabo junto há foz de mais um rio. Aliás a Guiné é uma autentica manta de retalhos, a quantidade de rios é enorme e praticamente todas as regiões são penínsulas isoladas por rios enormes. A praia foi uma desilusão, a maré está cheia e a areia preta e cheia de nafta. Por aqui as leis ambientais devem ter pouco valor e as grandes companhias não se inibem em lavar os tanques dos seus enormes petroleiros. Já que a praia é impraticável resolvemos voltar á picada e conhecer a região, as enormes florestas de caju são aqui como em praticamente toda a Guiné a principal fonte de rendimento das famílias. O cheiro a caju é intenso e na frente de cada cubata uma bacia de madeira em forma de canoa serve para espremer o fruto e produzir o conhecido vinho de caju. Voltámos para Bissau e voltámos ao Café do Sr. Diniz, o nosso ponto de descanso de onde temos uma visão privilegiada da ritmo da cidade e da principal praça. Passam alguns carros militares, realmente temos reparado que o numero de militares na cidade aumentou mas não se vêm armas nem nenhum tipo de movimentação mais tensa. Tudo continua calmo. O Jantar desta vez foi no Papaloca, o restaurante do Benfica, conseguimos convencer mais uma vez o João a alterar a sua rotina, desde que chegou a Bissau que ia sempre almoçar e jantar ao mesmo restaurante. Este serão foi diferente, desde que estamos em Bissau é a primeira vez que temos agua e luz ao mesmo tempo ;-) o normal é não haver nem uma coisa nem outra especialmente agora que o gerador pifou. Aproveitámos para ver pela primeira vez as gravações vídeo que foram sendo feitas durante a viagem. Como nada dura para sempre ;-) passado duas horas lá se foi a luz. A solução é ir dormir que amanhã é dia de faina..... vamos ter de tratar dos documentos finais e arrumar as motos no contentor.

Diario, dia 18 - Lisboa

Já cá estou, saí de Bissau ontem no avião da Luxor, cheguei hoje às sete da manhã... vamos a ver se me entendo com isto dos blogues! Deixei os outros três animados... no caminho para o aeroporto descobriram outro sítio animado com cerveja fresca :-) Ao contrário do que as notícias do MNE possam deixar transparecer, Bissau esteve em festa no 1.º de Maio. Inteligentemente, a administração local dá tolerância de ponte na Segunda-Feira pelo feriado ter saído ao Domingo. De modo que a atmosfera é tranquila... há alguma conversa sobre as possibilidades de conflito ditadas pela corrida presidencial, mas não passa disso. Hoje o Miguel Casimiro ia confirmar a reserva para regressar Sexta-Feira e o Teles e o Carlos Azevedo iam tentar contactar o comandante do navio para decidir se sempre regressam embarcados ou não. Os três viajantes que sobram estão alojados na nova delegação Nomad's em Bissau! É a casa do João Russo, um Motard do Ocidente, daqueles motards dos costados todos, que tomou a iniciativa de se apresentar e nos recebeu generosamente e com todas as condições. Foi uma oferta utilíssima, uma vez que a casa tem reserva de água, gerador e sitío para guardar as motos, acreditem que alojamento em Bissau com estas condições não é nada barato! Amanhã é dia de contentorizar as motos, espero que eles não caiam na tentação de vender a minha por lá! Vou começar a dar um jeito nas fotos e amanhã tentarei actualizar o diário de viagem aqui no blog. A minha viagem já acabou mas está decidido, vamos mesmo até ao fim do mundo! A próxima já se desenha, há-de ser qualquer coisa como Dakar-Luanda!

segunda-feira, maio 02, 2005

Diario, dia 17 - De Bissau ao Cacheu e volta

Para mim, é o último dia da viagem. Tento sacudir a depressão associada ao regresso à santa terrinha, aproveitando para conhecer o canto mais a Noroeste da Guiné. O Cachéu, na margem sul do rio com o mesmo nome, foi a primeira cidade estabelecida pelos portugueses na Guiné, já lá vão 417 anos. Provando que não é só de agora que temos dificuldade em gerir a a regionalização, chegou a depender de Cabo Verde. Hoje em dia, a partir de Bissau, por terra, leva-nos cerca de duas horas e meia a atingir. Em Bissau atravessamos o mercado de Bandim, passamos a rotunda do aeroporto e cumprimos o ritual de parar para cumprimentar o respectivo polícia, que nos pergunta, preocupado, onde é que está o outro. Refere-se ao Miguel Casimiro. Aflito dos olhos, à conta das lentes de contacto e dos nossos hábitos pouco higiénicos, o Miguel ainda tentou vir também mas não tinha condições. Vai ficar na capital. Depois é o caminho que já conhecemos bem até Safim. Aí inflectimos para a esquerda, para NW em direcção a Bula. Até ao rio Mansoa rola-se bem. A estrada é nova, deve ter sido construída na mesma altura que a grande ponte Amílcar Cabral. Esta tem quase um quilómetro de comprimento e eleva-se umas dezenas de metros sobre o Mansôa. São tão raras as elevações naturais, que a ponte nos dá uma perspectiva bastante exclusiva das zonas de pântano e mangal que se estendem ao longo do rio. Sendo o pavimento de qualidade relativa, não perecebemos porque diacho é que a mala esquerda do Teles haveria de desconseguir logo a seguir à ponte. Andava óleo de travões solto lá dentro e deve ter atacado o plástico junto às dobradiças. Apanhámos os pertences e fechámos a mala com fita americana. Há-de aguentar! Depois de Bula, a estrada deteriora-se rapidamente até se tornar a pior sucessão de crateras que apanhámos na Guiné!!! Sempre a piorar até chegar ao Cachéu. Mas vale a pena. Trata-se de uma vila pequena, com um forte português bem conservado, um ancoradouro que faz de praia com uma larga praça adjacente e uma esplanada onde almoçámos. Enquanto isso, já conseguimos perceber que numa mesa próxima se discutem as prestações das GS’s. Ouvimos repetidamenente “Duzentos Quarenta!!”. Os guineenses e os senegaleses acreditam todos que as motos têm caparro para espremer os respectivos velocímetros. O que até é giro porque a Honda, mais consciente do que a BMW dos chassos que produz, decidiu atribuir uma escala mais realista à Varadero (que até anda mais que as GS’s). Fica-se pelos 220 enquanto que as GS´s têm quadrante até aos tais 240 que tanta admiração provocam no pessoal. Mas hoje não temos a Varadero para humilhar. Na mesa do lado, no entanto, uma voz sensata declara em crioulo que uma 250 cc seria mais adequada ao dia a dia da Guiné. Quem assim o diz é um espanhol com ar insh’Alah, o único branco na mesa de pescadores. Também é motard, andou um ano e meio a vadiar pela europa numa (FZ?) FZR dos primórdios. Percebemos (e ele confirma!) que está completamente assimilado. Vive há 5 anos no Cachéu. Trabalha na faina e não tem saudades nenhumas de Málaga, de onde é oriundo. Diz que há coisa de dois anos fez um lá um mês de férias e se ia passando. “Lá as pessoas vivem uma vida inteira num prédio e não sabem como se chama o vizinho da frente!! Vão ao supermercado e esquecem-se lá dos filhos!!! Náh!! Aqui está-se bem. É uma existência decente.” Diz-me o cabrão. A mim. Que me vou embora daqui a bocado. Bem... adiante. Vamos para a praia aproveitar o sol. O que temos à frente não é o mar. É o rio Cachéu, que aqui já leva uns kilómetros de largura e quando encontrar o Atlântico já terá engordado bastante mais, para um delta larguíssimo. Como o feriado do 1 de Maio foi transferido para hoje, começa a chegar muita gente para fazer praia. Os adolescentes trouxeram jerrycans de 20 litros de vinho de caju e estão todos a tripar. Nós temos que regressar a Bissau. Mas ainda vamos ver outra curiosidade: o cemitério das estátuas. Depostas aquando da independência estão agora estacionadas ao pé do forte. Serão para aí o Bartolomeu de Gusmão, o Nuno Tristão e há um gajo que parece o Estaline mas deve ser o Serpa Pinto ou outro herói da conquista colonial... Segue-se a gerra dos buracos. Vou pensando que se a moto tiver um furo ou outro amok, já vou ter de inventar um programa alternativo, como cravar uma das outras motos para conseguir apanhar o avião. A viagem toda condicionada à necessidade de apanhar o avião no dia 2 e neste momento não tenho margem nenhuma. Bah! Isto dos prazos não faz sentido nenhum. Nenhuma viagem deveria ter o fim anunciado. É como nascer-se sabendo-se o dia em que se morrerá. Chegados a Bissau, só está o guarda, o Young, no enclave “soviético”. O Young já não é novo mas o João não confia nele para lhe deixar as chaves. De maneira que não temos como entrar. Temos de ir procura-los. Começámos pelo Colete Encarnado, nada. Cravamos uma chamada de telemóvel a uma amiga do João (nenhum dos operadores portugueses tem acordo de roaming na Guiné). Estão no Tamar – o Miguel desviou-os para lá, para comerem uns camarõezinhos, Já não tenho muito tempo, mas também não tenho muito que arrumar. Tenho é que imperativamente tomar um banho, jamais me deixariam subir ao avião no estado em que estou! Decidimos abreviar o jantar. Fica só por camarões. Mas como os rapazes tinham esgotado o stock do Tamar, voltamos para o Colete Encarnado. Bom, depois em meia hora tomo um banho (a baldes, que para ajudar a água faltou hoje todo o dia), arrumo as tralhas, escolho a roupita mais asseada que ainda sobra e ala para o aeroporto. O Check-in é às 22 para um avião que só há-de tirar as patas do chão à uma e meia da madrugada! A Varadero dá-me uma boleia para o aeroporto. Despeço-me dos outros, com o peso na consciência de terem de ser eles a despachar-me a moto, mas invejoso porque eles ficam e eu tenho de ir. Usurpei um banco inteiro no aeroporto e consegui dormir um bocado. Já no avião, deram-me um daqueles lugares a seguir à saída de emergência e as costas da cadeira não deitam. Não consegui pregar olho. Chegámos a Lisboa já muito tarde. Fui a casa dormi três horas, tomei banho e fui trabalhar. Parece que estou noutra galáxia.

domingo, maio 01, 2005

Diario, dia 16 - De algures a Sul de Pirada de volta Bissau

Para o pessoal das tendinhas pequeninas sem duplo tecto a noite foi mesmo agreste. Estamos de volta a Bafatá, hoje à procura de combustível para a alma: café.Alegadamente há num restaurante de uma senhora "vossa patrícia", portuguesa portanto. Mas estava fechado. No hotelzinho com ar simpático, na rua principal que sobe do mercado para a igreja, também não há. Afinal parece que pertence à mesma patrícia que terá ido à missa. Acabámos por fabricar um Nescafé sem açucar à beira da pista (aqui chama-se picada) para Mansabá. Lembram-se de Mansabá? Foi onde ficámos a primeira noite na Guiné. Temos lá o nosso amigo Domingos, que arranja cerveja fresca e é secretário do presidente e vai casar catolicamente com a Antónia e que tem 4 filhos e que estudou em Praga no tempo do comunismo e que ficou em Lisboa ao pé dos Jerónimos e que... é incrível o que ficamos a saber de uma pessoa num único serão!!! O Domingos, claro, ficou todo contente de nos ver. Levou-nos a casa da sobrinha Francisca, a comer asinhas de galinha estufadas com limão e cebola. Uma delícia! Ah e pão e cerveja fresca!.. Não pensem que tanta referência a cerveja já significa comportamento aditivo!!! É só que, se em Marrocos ainda se arranja, na Mauritânia é inexistente. E rara é também qualquer coisa fresca numa Guiné que parece completamente desprovida de electricidade. Aprendemos a valorizar! Em Bissau valorizámos mais umas quantas na nossa delegação: a esplanada do Império. À noite fomos jantar com os Russos a um restaurante português, o Colete Encarnado. Bissau à noite é de uma escuridão total só quebrada por um ou outro café ou montra iluminada. Ouve-se uma sinfonia difusa de grupos geradores da diferentes potências. Amanhã já me vou embora, é o pensamento ao adormecer.