sexta-feira, novembro 11, 2005

Tierra del Fuego

Quando em 1520 o navegador português Fernão de Magalhães cruzou pela primeira vez o estreito que hoje leva o seu nome, vendo à sua direita o continente sul-americano mergulhar no oceano e à esquerda uma ilha de enorme extensão, inspirado pelo grande número de fogueiras indígenas que brilhavam ao longo da costa resolveu batizá-la de Terra do Fogo. O Estreito de Magalhães é uma passagem navegável de aproximadamente 600 km imediatamente ao sul da América do Sul. Situa-se entre o continente et a Terra do Fogo e o cabo Horn ao sul. O estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Fernão de Magalhães foi o primeiro europeu a navegar pelo estreito em 1520, durante sua viagem de circum-navegação. Como Magalhães entrou no estreito dia 1 de novembro, ele foi chamado inicialmente de Estreito de Todos os Santos. O Chile tomou posse do estreito em 23 de março de 1843 e mantém a soberania sobre ele até hoje. Antes da criação do Canal do Panamá, o estreito de Magalhães era a segunda passagem mais utilizada para atravessar do Atlântico ao Pacífico, depois do cabo Horn. O estreito é conhecido pela dificuldade de navegação, devida ao clima inospitaleiro e à sua pequena largura. O estreito foi atravessado, entre outros, por Francis Drake e Charles Darwin. Os caçadores de ouro durante a corrida pelo ouro na Califórnia em 1849 também usaram essa rota. A história da Tierra del Fuego intercala uma trágica e contínua campanha de exterminação da população indígena para dar lugar às estâncias de ovinos com grandes corridas em busca do ouro, piratas, naufrágios, explorações e uma guerra que quase foi declarada entre Chile e Argentina na década de 80 pela disputa do Canal de Beagle. Constituindo uma extensão com grandes porções ainda selvagens, são muitos os pontos onde a presença humana não conseguiu sobrepor-se ao ambiente constantemente varrido pelos gélidos ventos que sopram desde o pólo muitas vezes com força de furacão. Na parte Argentina, bem mais estruturada que a chilena, o trecho final da Ruta Nacional 3 (RN3) que desce desde Buenos Aires interliga com asfalto as três cidades principais: Ushuaia, a capital da província e considerada a cidade mais austral do mundo, Tolhuin, no coração da ilha, e Río Grande, centro nevrálgico das imensas estâncias fueguinas, substrato para a exportação de carne e lã. No lado chileno, apenas estradas sem pavimentação, grandes estâncias e duas povoações com pouca representatividade: Puerto Porvenir e Puerto Willians, na Isla Navarino.