terça-feira, abril 24, 2018

Voltou o desassossego..

Sabem o que pode acontecer quando se está no meio de um ciclone, presos horas e horas num aeroporto perdido algures no Indico? Tricam-se umas chamuças locais, bebe-se uma cerveja... e ficamos com uma vontade súbita de escrever num blogue que já tem 14 anos e não vê uma linha nova há mais de quatro :) 



Bom, para começar tenho que confessar que esta viagem não foi propriamente planeada...  

A verdade é que depois do ano passado nunca mais me voltei a entusiasmar sériamente com viagens. 

Ok, dei uma volta pela California e parques do Oeste Americano, fui à Alemanha, a São Tomé e a Roma, mas sempre com um sentimento estranho que me deixava pouco emotivo e até algo desinteressado. Estava como que dormente, sem vontade de nada... precisava de ter algo que me voltasse a despertar o verdadeiro interesse por viajar, por explorar, por descobrir... enfim algo que me desassossegasse. 



Por isso e sem nada de específico na cabeça, deambulei pela net aos serões à procura de voos económicos. Buscava algo desconhecido, de preferência com mar e algures perto do equador :)



Encontrei uma opção porreira! Miami, voo direto de Lisboa que com uma ligação barata, me deixava em Porto Rico. Lí algures que por aqueles lados não é difícil encontrar espaço num veleiro para ir descendo pelas ilhas virgens Britânicas,  Antigua, Barbados... quando acabasse o tempo um voo de regresso a Miami não deve ser nenhum fortuna. 
Deparei-me também com outra opção que me dava a possibilidade de conhecer um outro lugar que sempre me entusiasmou, Madagáscar. 



A bem da verdade o voo não era pra Madagáscar, era para as Maurícias... Não sou grande fãn de ficar parado na praia mas por pouco mais €300 não seria assim um grande sacrificio :) Mais alguns serões de investigação e descobri um voo local para Madagáscar com escala na Ilha Reuniao que encaixava nas datas por apenas €150. Já tinha contactos antigos para conseguir uma moto em Madagascar e tenho amigos com moto na Ilha Reunião... está feita a escolha!



O voo para as Maurícias começa em Londres mas nem isso me deixou indeciso, aproveito para matar saudades da cidade e explorar uns lugares longe dos pontos turisticos.
Sabem aquela ansiedade interminável que nos põe à procura de mapas e informações na internet? Aquele bichinho na barriga que não nos deixa descansados enquanto não partimos? Pois é parece que voltou! 

quinta-feira, setembro 25, 2014

No reino do Sião


O Eslovaco tinha razão, a Tailândia é realmente mais fresca! Na verdade não é assim literalmente, o computador da moto continua a dizer que estão 35 graus mas a sensação é de bem menos.  Continuamos a ritmo acelerado, o Sunny marca o passo nos seus habituais 120 em permanente gincana entre scooters, carros, camiões e animais.


Nós finalmente aclimatamos. Já acordamos naturalmente cedo, sem aquela sensação de que estamos a acordar às 3 da manha para andar de moto. Avançamos para Norte pelo meio das montanhas de "limestone" que tanto caraterizam esta região do planeta, evitamos a cidade de Krabi e seguimos para uma pequena e bem mais pacata baía a norte da cidade.


Um almoço grandioso pede o primeiro mergulho da viagem na praia bem em frente do restaurante. É nesta baía povoada por milhares de pequenas ilhas que saltam acima da linha de agua que fica a tantas vezes fotografada Ilha do James Bond  Ko Khao Phing Kan, famosa depois do filme "The man with the golden gun" gravado aqui à 40 anos atras. 


Tem de ficar para depois, vamos adiar para a descida, o objectivo do dia é Rangon, a cidade fronteiriça que nos vai servir de base para tentar a entrada no Myanmar. A estrada corta a floresta tropical por entre as montanhas do Parque Natural de  Si Phang-Nga.


Como é normal numa floresta húmida... está húmido :) nuvem cobrem os cumes e uma neblina espessa sai do asfalto como se estivesse a transpirar. No ponto mais alto reencontramos o sol que acaricia um modesto templo com um Buda negro. Do lado uma torre permite subir mais um pouco e apreciar a vista acima da copa da floresta.


A respiração acalma, com compassos longos e profundos inspiramos longamente os odores da terra húmida e pela primeira vez nesta viagem sinto a paz e tranquilidade. É por momentos destes que sou tão viciado em viajar.


O momento Zen somado com o mergulho depois do almoço torna definitiva a nossa entrada em modo "vadios" ;) deixamos de viajar e passamos a vadiar. Os condutores kamicazes, as scooters e as manobras intempestivas dos outros condutores passam a ser administradas com muito menos ansiedade... Tudo parece que diminuiu de velocidade, como se tivéssemos mudado de rotação de um gira discos para Long Play.


Tudo nos parece agora perfeito, até a chuva tropical que nos recebe nos últimos quilómetros antes de chegar a Rangon. Paramos, protegemos passaportes, gadjets e documentos em lugar seco e seguimos viagem sentindo a chuva quente escorrer por dentro do casaco aberto. Está-se bem!


Rangon recebe-nos em festa, é a semana das festas da comunidade chinesa e toda a cidade está decorada a rigor. Rigoroso parecia também o policia que nos mandou parar num controlo de estrada a escassos metros do nosso hotel. "International drivers license please", chiça acertou em cheio com a única coisa que eu não tenho.


No worries, sorrisos, gestos cordiais e muitos Sawasdee  depois (saudação em thai) a minha carta portuguesa passa a ser válida :) Agora é tempo de descansar que amanha é um importante, vamos tentar entrar no Birmânia, Myanmar ou Burma, como preferirem chamar à antiga provicia do Reino do Sião que fica do lado de lá deste canal do Mar de Andaman. 




Enviado do meu iPad

terça-feira, setembro 23, 2014

Sunny 120

O Sunny e Fadzil vão nos acompanhar ate à Tailandia, o Sunny tem uns contactos na fronteira com o Myanmar e nós vamos tentar atravessar para lá, inshala. O plano é subir rapido e depois descer de volta para sul num zigue zague mais calmo entre a costa do mar de Andaman e o Golfo do Sião.


Ja viajei com o Sunny mas ele ia comportado porque era o meu territorio, agora a situaçao é inversa, estou nos seus dominios e quem manda é ele. E manda bem, manda aliás muito bem, uma conduçao certinha sempre, mas sempre a 120.
Não importa se há transito, se há chuva, se há cidades, é sempre a 120... Parece alguem que eu conheço aí de Portugal que diz q tb nunca passa dos 120 ;)


Mas aqui é demais, muito acima da velocidade sensata quando os outros condutores acham que os piscas e os espelhos sao meros acessorios decorativos :) Nunca me deparei com tamanha confusao nas estradas, as milhares de scooters vindas de todas as direcoes tb nao ajudam a montar uma imagem ordenada do quer que seja... Risco continuos, duplos continuos e até separadores em zebra delimitando as faixas nas cidades sao absolutamente ignorados por estes condutores alucionados.


Ultrapassam pela esquerda, pela direita, por onde há uma nesga de espaço, sao totalmente imprevisiveis e quando menos se espera invertem o sentido e viram aleatoriamente sem qualquer ameaça previa, viram e pronto. Outra coisa curiosa é os separadores das vias rápidas, duas faixas para cada lado e um separador de relva no meio, um obstaculo que os locais devem achar algo despropositado e até perigoso, impedindo-os de fazer inversão rapidamente sem subir e descer passeios e pisar relva.


Por entre eles Sunny e Fadzil avançam nos seu 120 fixos, tranquilos, como se nada fosse. Eu já apanhei alguns sustos e demoro mais, tento prever as manobras mais inuzitadas possiveis e só depois avanco para a ultrapassagem. O Sunny em algumas coisas faz-me lembrar o meu amigo Teles,  pode estar a chover, pode não haver nada para ver nem gasolina para meter, mas a cada hora tem de parar para fumar ;) smooke, ride and eat, that what we do!


Mas nem tudo é assim tão mau, a gasolina custa 0,20€ o litro e as motos nao pagam portagens nem sao alvo de inspeçao pela policia, quanto ao resto, é ganhar as manhas locais e andar sempre de olhos bem abertos ;)


Os almoços sao simples e deliciosos, mercados de rua, restaurantes familiares, a cozinha daqui é qualquer coisa de divinal para quem como eu gosta (muito) de picante. 


Avançamos rapidamente para norte e chegamos ja no fim de tarde à fronteira da Tailandia onde a paisagem muda radicalmente, das suaves montanhas malaias para os picos de rocha que surgem do meio da floresta tropical. A temperatura mantem-se nos 35 graus, mas a sensaçao termica baixa bastante, ficando bem mais agradavel.


Encontramos um Eslovaco na fronteira que diz que a Malasia é um forno comparada com a Tailandia, espero que seja verdade.

KL para os amigos.

KL é como os locais chamam a Kuala Lumpur, a capital da Malásia e, provavelmente, a capital do sudoeste Asiático. A primeira impressão não é das melhores, 35 graus e 100% de humidade que nos atingem em cheio e nos deixam sem ar assim que saímos do aeroporto. As 7 horas de diferença horária e quase 24h entre voos e ligações também não nos deixa muito receptivos ;)


É uma cidade grande e plena de contrastes, de um lado arranha céus incriveis, do outro mercados de rua tipicamente asiaticos, numa esquina um Aston Martin ultimo modelo, noutra um tuc-tuc desengonçado...


É aqui que islâmicos, budistas, hindus e cristãos convivem em plena harmonia. Pode parecer presunção afirmar isto assim com apenas 3 dias de cidade, mesmo tendo sido tão intensos, mas eu tenho um infiltrado que vive em KL à 41 anos, o Sunny.


Sunny Oh é uma referencia para todos os viajantes de moto que passam pelo sudoeste Asiático, à mais de 40 anos que mantém uma oficina que começou pequena e é agora apenas e só a referencia no ramo na Tailândia, Malásia e Singapura.


Sunny Oh é tambem o patriarca da "dinastia Sunny" uma familia de 3 gerações que nos recebeu de forma soberba durante estes dias.


Este foi apenas um dos mimos que recebemos deles, um pequeno almoço típico chinês com toda a família Oh e com 15 pratos tradicionais, todos d e l i c i o s o s!


KL pode ser uma cidade fantástica, com uma diversidade incrivel e um vibração genuína, mas sem duvida o melhor de Kuala Lumpur tem nome, chama-se Sunny Oh dinasty ;) thank you all Oh dinasty!
Amanha começamos a rodar para norte a caminho da Tailandia, era para ser com uma bela BMW R100GS PD mas ainda nao esta pronta para enfrentar a viagem, por isso lá terá de ser numa 1200gs da coleçao do Sunny :)