quarta-feira, dezembro 19, 2007

O trailer do DVD da ultima viagem.

DVD Caracas - Machu Picchu - Rio de Janeiro 2007

Já está disponivel o 3º DVD do projecto "Até ao fim do mundo". Desta vez o filme de 50 minutos relata a viagem de 9800 quilometros que atravessou a Venezuela, Amazonia, Peru, Bolivia, Pantanal e Brasil. Cerca de 500 fotografias e informações sobre a rota, paises atravessados e participantes estão disponiveis nos extras do DVD. O 3º DVD pode ser adquirido enviando um email para ateaofimdomundo@gmail.com

segunda-feira, novembro 05, 2007

Reportagem na 2Ride

Duas semanas depois de ter chegado do Rio de Janeiro, andava eu ainda meio desnorteado, recebi um telefonema da Estela. "Olá, Sou reporter de uma revista de motos nova, a 2Ride, não sei se conhece, ainda só saiu um numero, um amigo comum falou-nos do seu projecto e gostariamos de lhe fazer umas perguntas.... acha que é possivel??" Possivel é respondi eu mas se querem saber algo sobre a ultima viagem vai ser dificil, ainda está tudo desorganizado talvez seja melhor daqui a um ou dois meses.... "Gostariamos de saber se poderia ser na proxima semana" disse ela decidida :) Está bem Estela, mas olhe que estou em défice aqui no trabalho, tenho de compensar os dois meses fora, se quiserem fazer a entrevista vai ter de ser aqui mesmo, numa hora de almoço e sem moto....não prefere fazer isso daqui a umas semanas... "Pode ser quarta feira que vem???" E foi mesmo, mesmo sem muita vontade a coisa até correu bem, a Estela e o seu colega foram muito simpáticos e despachámos a coisa em meia hora no jardim da Gulbenkian. Entreguei-lhes um cd com algumas fotos não editadas e escrevi num papel o endereço do website; ...qualquer coisa liguem... A revista saiu este mês e o resultado ficou porreiro, a Floribela teve um destaque engraçado, é interessante ver uma modesta Honda dominator de 99 nas mesmas paginas que as BMW GS1200ADV ou as KTM da ultima geração,... ela merece ;-) ficam aqui algumas paginas... Podem ler a reportagem em http://ateaofimdomundo.smugmug.com/Imprensa

sexta-feira, outubro 19, 2007

A verdadeira grande viagem!

Os caminhos que seguimos numa viagem nem sempre são fáceis, nem sempre são perfeitos, nem sempre são os melhores... Nos últimos anos da minha vida fiz algumas viagens, em todas elas foi necessário ultrapassar vários obstáculos, em todas elas houve um principio, um meio, e um fim, e nesse fim todas as dificuldades ultrapassadas acabaram por nos fortalecer, nos ensinar mais uma lição na nossa vida, nos tornar pessoas melhores..... Nos ultimos 6 anos vivi uma viagem, uma viagem de onde esperava nunca regressar, uma viagem que esperava não ter fim... sem ela nada disto seria possivel!

segunda-feira, julho 16, 2007

Acabou!

Cada vez é mais difícil parar, cada vez é mais difícil regressar! As viagens de moto são uma experiência magnifica, temos um contacto directo com o meio que nos envolve, com os cheiros, com as temperaturas, com as pessoas, mas são tb uma viagem ao nosso interior, passamos longas horas por dia sozinhos em cima da moto, temos tempo para pensar, para cantarolar e para fazermos balanços de como vai a nossa vida. Não há ninguém para nos interromper, para nos desviar a concentração, talvez por isso as ultimas semanas destas viagens são sempre complicadas de digerir. Tenho me perguntado cada vez mais quando é que vou ter coragem de não regressar, de continuar... de ficar por aqui... Afinal vou regressar para onde?? para o quê?? Para casa, mas que casa... é aqui que me sinto em casa... recomeçar, vou ter de recomeçar... e porque não recomeçar aqui....

O melhor é guardar para mim estes delírios vadios e continuar o diário da viagem que é para isso que serve este site, desculpem lá o desabafo!

Estou no Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro, chegámos ontem ao fim do dia à cidade maravilhosa. A ultima semana da viagem foi desgastante, muito desgastante, começamos a contar os dias ao contrario, os problemas lá da terrinha voltaram a preocupar-nos, voltámos a olhar para o relógio, para a agenda, para os compromissos, para o extracto do cartão de credito, para a conta bancária, para o trabalho.... e as noticias não são animadoras. Seja como for e como não há coragem para ficar... há que enfrentar o regresso e recomeçar! O Casimiro já foi, foi ontem com o seu ar tranquilo do costume, foi atrasado como tb é costume, teve de vir num voo de ultima hora de São Paulo para o Rio, conheceu os 4 aeroportos destas duas cidades e por esta hora deve estar a colocar a gravata para apadrinhar o casamento do seu irmão. Nós estamos há espera do nosso voo, há por ali um cyber point mas eu estou tão deprimido que não me apetece ver computadores à frente, vou escrever no meu velhinho diário e depois passo para o site quando tiver melhor. A chegada a São Paulo aconteceu à 5 dias atrás e a recepção foi como já é costume magnifica. O Silvio e a Joelma foram nos buscar ao Inicio da Marginal Tietê e guiaram-nos à "nossas" churrascaria onde os Verbenos já nos aguardavam. Decidir onde dormir é sempre uma decisão complicada por estes lados, a hospitalidade é tanta e tão genuína que temos de gerir cuidadosamente a coisa de forma a não magoarmos amigos. Para equilibrar a coisa optámos por dormir a primeira noite com os Verbenos e a segunda com os Ventura. A minha mana Milene veio de Jaraguá novamente para nos receber e desde a primeira hora integrou a comitiva Vadia. Depois de descarregar as bagagens e de um duche rápido na "Estalagem Rolf" seguimos para o Ibira Moto Point no centro da cidade onde os Desmo masoquistas e os Big loucos nos esperavam. Churrasquinho para aqui, cerveja e mais cerveja para ali fomos matando saudades de velhos amigos e conhecendo mais uns quantos novos. O povo brasileiro sabe receber, e quando o juntamos a isso a habitual hospitalidade motociclistica temos momentos que são difíceis de descrever. A noite acabou tarde e no dia seguinte custou a acordar, bateu a tal tristeza do "chegar ao fim" misturada com o cansaço da viagem, só depois do grande café da manha da Verbena é que nos sentíamos prontos para recomeçar a olhar para as motos. A viagem para a casa do Silvio onde vamos encaixotar as motos é sempre uma verdadeira "viagem", são 70 kms entre as duas casas atravessando toda a cidade de São Paulo. Esta cidade é realmente gigantesca, para alem disso está longe do mar, é plana e é quase impossível conseguir encontrar pontos de referencia que nos permita algum tipo de orientação. São demasiados trunfos contra para conseguir gostar desta cidade, não fosse a família e os amigos que tenho aqui e nunca colocaria esta cidade no roteiro da viagem. Vamos para uma garagem perto da casa do Silvio, é do Júnior que fez a amabilidade de guardar as grades da motos num armazém bem na frente desta garagem. As grades são iguais às que embalámos as motos em Lisboa por isso o trabalho até corre bem e em 3 horas temos as motos prontas. Vamos para o aeroporto começar a "burrocrasia"!! E fomos e, subimos e descemos e perguntámos a uns e perguntámos a outros e voltámos para casa sem nada resolvido. A única coisa que conseguimos saber foi que um despachante oficial pedia entre 1100 e 1300 dólares para tratar de tudo....caro.. muito caro! Fomos afogar as nossas frustrações no meio de amigos, o Ed e o Silvio organizaram um churrasco de despedida na casa do Júnior, o jardim está repleto de amigos, a picanha está deliciosa a cerveja estupidamente gelada... enfim mais um momento que vai ficar na memoria, Obrigado ao anfitriões do churrasco e a todos os amigos presentes. O_café da manhã da casa "Ventura" não fica nada a dever ao de um hotel de 5 estrelas, temos de ganhar forças para um dia inteiro no aeroporto e por isso esvaziamos a mesa em questão de segundos ;-) O dia foi chato como se esperava, papelada, pagamentos, corridas de guiché para guiché mas ao fim da tarde lá tínhamos poupado 700 dólares e estava tudo alinhavado. As motos forma transportadas durante a noite para o hangar de carga, há menos transito e menos movimento no terminal, o único inconveniente é que a Receita Federal já está fechada e vamos ter de voltar aqui amanha para terminar o processo de DSE - "Despacho de Exportação Simplificada".... simplificada dizem eles.....Voltámos a invadir a Pousada "Ventura" onde mais uma vez a Joelma e a Marcella nos receberam de braços abertos, para agradecer a hospitalidade fomos a um restaurante japonês, já começa a ser habito terminar a viagem com sabores orientais e sabemos que a Joelma tb é apaixonada por sushi! Nestas coisas é sempre melhor agradar à dona da casa do que ao dono :) se bem que a dona da casa é agora a Marcella. A manhã começa com boas noticias, a D. Fernanda da Tap em Lisboa já tinha enviados emails para o pessoal da Tap Cargo do Rio e de São Paulo, o Pedro Mendes já nos esperava e ensinou-nos todos os passos a tomar, só graças à ajuda dele e do Barboza da TapCargo de São Paulo foi possível despachar as motos em 3 dias. Tratar de toda a papelada é uma tarefa muito complicada e demorada, só possível com ajuda de quem conhece o meio. Temos de agradecer novamente toda a simpatia e profissionalismo de TODO o pessoal da Tap Cargo, seja em Lisboa, em Caracas, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, todos foram magníficos e sempre nos sentimos apoiados. Obrigado mais uma vez, agora que ficámos clientes vão ter de nos aturar mais umas quantas vezes... Despachadas as motos temos de continuar a viagem, afinal ainda faltam os quilómetros até ao Rio de Janeiro. O problema é que com tantos atrasos só vamos ter um dia no Rio. É pena, quando preparei a viagem programei uma semana na cidade maravilhosa, queria terminar a viagem desfrutando da cidade e dos amigos que tenho aqui, queria passear pelos miradouros, caminhar na praia, passear nas lojas do Leblon, beber uma cerveja em Ipanema, namorar no calçadão, ir a um Motel daqueles..... enfim fazer um balanço da vida e tomar decisões. Lá estou eu outra vez.... desculpem. Despachar o Casimiro foi bem mais rápido do que despachar as motos, autocarro para o outro aeroporto, despedida sentida e... "liga se perderes o avião.." Nós alugámos um carro para a viagem para o Rio, eu queria alugar uma Combi, uma WV pão de forma, mas fui voto vencido e o resto dos vadios preferiram o ar condicionado e a direção assistida de uma Dubló, chatos! Já com o sol a descer optámos por ficar essa noite em Paraty, se seguirmos para o Rio vamos chegar de madrugada e não é boa ideia chegar à Linha Vermelha de madrugada, esta via rápida que atravessa a zona norte do Rio é rodeada por morros e favelas, é aquele Rio que não aparece nos postais, é preferível jogar pelo seguro e dormir a meio caminho. Paraty é uma pequena vila portuguesa do Sec. XVII encaixada entre a luxuriante Serra do Mar e as lindas praias da Baía de Angra. As suas casas são muito coloridas, a calçada é original da época, a cidade está repleta de pousadas, restaurante, bares e lojas de souvenirs, é um lugar caro, muito turístico mas também muito simpático. Para chegar aqui atravessámos a Serra por uma pista que há muito queria fazer de moto. A antiga rota do Ouro do tempo colonial atravessa a serra por Cunha, uma pequena aldeia bem portuguesa no cimo da montanha, aí começa o Parque Natural da Serra da Bocaima que desce até às baías de Paraty, a pista é um sucessão de curvas apertadas e enlameadas que descem dos 3000mts até ao nível do mar no meio de uma floresta tropical luxuriante. Era para ser o nosso ultimo troço de terra antes de terminar a viagem, acabou por ser na mesma só que em vez de ser de moto e de dia, foi de carro e de noite. Jantámos muito bem no Paraty13, um dos melhores restaurantes da cidade e a Milene guiou os vadios pelos bares de Paraty, eu não consigo esconder a minha tristeza, estou deprimido e não sou boa companhia de copos, apanho um táxi e vou cedo para a pousada, os outros perdem-se pelas ruas coloridas e animadas da cidade. Como resultado da noitada de ontem todos estão ainda em sono profundo, eu acordo com o nascer do sol e subo a rota do ouro quase até Cunha, queria ver as vistas, volto à pousada e ainda todos dormem, sigo para Trindade, uma praia muito conhecida da região, muito bonita por sinal, a agua está quente e a praia ainda tem pouca gente. Tenho de voltar aqui com mais tempo, a pequena vila de Trindade está cheia de pequenas pousadas e fica numa península rodeada de praias bonitas, tem um ambiente muito descontraído e parece ser bem mais calma que Paraty. No caminho de volta à pousada entro por alguns caminhos pouco utilizados e descubro "o" sitio! Praia, serra, temperatura tropical, floresta, mergulho, trilha, vento para velejar e uma casinha no meio disto tudo... quando é que eu vou ter coragem... ops desculpem lá outra vez! Volto à pousada, os vadios já estão prontos à minha espera, arrumamos a bagagem e apanhamos a BR101 na direcção do Rio. A estrada acompanha a costa e vai contornando as baías de Angra, no horizonte vêm-se muitas das 365 ilhas desta baía, muitas são particulares e todas são muito bonitas. Pelo caminho vemos tb os primeiros morros, aqui ainda não há favelas e podemos ver aquelas formações típicas dos postais do Rio, aqueles calhaus cinzentos escuros com o topo forrado com floresta. O Meau e a Gabi organizaram um churrasco lá na casa deles, estão à nossa espera desde a hora de almoço na companhia do Tulio, da Rô e de mais uns amigos do Rio. Nós só conseguimos chegar lá pelas 4 da tarde e ainda há picanha e cerveja gelada, é bom rever o Meau e a Gabi, eles são a família que tenho aqui no Rio e sempre nos recebem de uma forma magnifica, estou novamente em casa. Conseguimos dar com a casa deles na Barra, estivemos lá no ano passado e depois de tantas visitas ao Rio já me consigo orientar razoavelmente bem. Duche rápido e segue para a Lagoa, a cidade recebe os Jogos Panamericanos e está em festa, em todos os barzinhos e restaurantes há televisões que passam todas as modalidades em disputa. A conversa está muito gostosa e dura pela noite dentro, éramos para ir à Penha beber uma cerveja e sentir o berço do samba mas estamos muito cansados e amanha é o ultimo dia. Dormi mal, não que a cama fosse inconfortável, antes pelo contrário, eu é que estou inconfortável, não consigo apagar este sentimento de vazio que cada vez está mais forte. Tenho que confessar que quando o Tulio trouxe a sua Lc8 melhorei bastante de disposição, especialmente depois de saber que era minha durante toda a manhã. A Gabi está magoada no joelho e não vai poder ir com agente passear pela cidade. Só temos uma manhã, o check in é às 2 da tarde e antes ainda temos de entregar o carro alugado. O Meau, o Tulio, a Rô e o J são uns guias de primeira, levam-nos pela orla costeira, subimos a vários miradouros e terminamos a manhã com uns magníficos pasteis e um mergulho na Prainha. Tudo feito a ritmo de corrida que não há tempo para mais. Despedimo-nos a custo de todos, não basta este país ser escandalosamente belo, ainda tem as pessoas mais hospitaleiras e bem dispostas do mundo, amigos que se tornam família, família de que temos saudade logo que nos despedimos. Obrigado pessoal! Agora estou aqui embalado num cilindro de vidro que eles chamam "zona de fumadores" as lojas só aceitam dólares e não têm nada interessante, o avião está atrasado e parece que vai cheio, está a cair a noite, vamos ter 10 horas de voo e daqui a 11 vou ver se ainda tenho trabalho e recomeçar.

quinta-feira, julho 12, 2007

De volta ao mato!

Os últimos dias foram muito corridos, do Pantanal a São Paulo tivemos de acelerar de forma conseguir ter tempo para enviar as motos de volta à terrinha. Saímos de Corumbá mais tarde do que o previsto para a ultima trilha da viagem, a transpantaneira! A pista é simples e fácil, é conhecida por ser frequente encontrar nas suas margens muitos dos inúmeros animais que fazem destes pântanos a sua casa. Jacarés, capivaras, macacos, araras, papagaios e centenas de passarocos diferentes olham desconfiados para as motos que lentamente vão degustando mais uma pista de terra vermelha. O ritmo é muito lento e com muitas paragens, a cada curva mais uma fotografia, mais um animal, mais uma ponte, a sequência repete-se muitas vezes até que uma das pontes nos obriga a parar. Uma das mais longas pontes ruiu com a força das ultimas enchentes, avaliamos a situação, encontramos uma canoa que talvez dê, com paciência, todos juntos..... não, é melhor não! Temos pouco tempo para mais aventuras, volta para trás e vamos pelo asfalto. A Floribela não gostou de regressar, a meio caminho o parafuso com que tínhamos reparado o apoio do amortecedor partiu (sim, aquele todo ferrugento que achámos no chão da oficina). Bem que o André tinha avisado que aquele parafuso não inspirava muita confiança, eu não tive em consideração os avisos sábios do nosso "ancião" e agora estava ali no meio da Transpantaneira sem suspensão traseira. Verificámos pouco depois que o maior problema não era o parafuso, o amortecedor quando perdeu o seu apoio encaixou de tal forma no braço oscilante que deixou tudo em tenção. A mola estava comprimida por cima do braço e o veio do amortecedor aparecia da parte de baixo, o parafuso quando partiu ficou preso no apoio e acabou por partir uma das alhetas de alumínio do amortecedor... Shiiiii isso já só sai daqui de reboque... disse o César.... Eu não concordei, afinal de contas não é uma moto qualquer, é a Floribela e eu passei muitas horas a olhar exactamente para esta parte... alguma solução havemos de encontrar. O André e o Casimiro sacam das ferramentas, começamos a desmontar parte por parte e 15 minutos depois temos meia moto espalhada pela pista, um ferro longo consegue repor a mola no sitio certo e agora é só arranjar outro parafuso. A reserva do Artur voltou a safar a coisa, um parafuso original Honda mas longo demais serviria se o conseguíssemos cortar, umas anilhas de aço mudavam de lugar e faziam a vez da alheta partida.... mais alguns toques e meia hora depois a Flor já sorria de novo! O César tinha ido avisar o Teles e resolveu seguir mais um pouco, seguiu tanto que só o voltámos a encontrar no dia seguinte ao jantar... O resto do dia foi passado a desfrutar o Pantanal, mesmo rodando pela estrada de asfalto vêem-se muito animais, principalmente aves. Apontámos ao Passo do Lontra, uma resort ecológica com passeios de barco para as regiões mais densas do Pantanal, digo apontámos porque nem parámos nessa resort, em vez dela escolhemos um Hosteling Internacional muito acolhedor e bem mais adequado às nossas bolsas. O lugar é magnifico, simples mas muito bem localizado, os quartos são em palafitas elevados 2 metros acima do chão, só assim é possível manter os pés secos na época das chuvas. Está um calor abafado e húmido, colocadas as tralhas no quarto preparei-me para saborear o por do sol durante um mergulho no rio, tinha perguntado à dona da Pousada e ela tinha dito "...pode ir tranquilo..." e eu ia. Ia, mas vi uma coisa que me deixou intrigado, uma espécie de tronco flutuava parcialmente no meio do rio, estranhamente seguia no sentido inverso ao da corrente...apontei a lanterna e brilharam dois berlindes numa das extremidade.... achei melhor refrescar-me com um duche! Mais tarde reparei num placa na porta do quarto: "Tomar banho no rio é seguro desde que não esteja menstruada ou tenha feridas expostas! As piranhas são atraídas por sangue!" A noite chegou rápido, desligaram o gerador, apenas escutamos barulhos na agua e na mata, apagaram as luzes, o céu estrelado revela toda a sua grandiosidade, acrescentamos Bob Marley à cena, o som agrada à Christiany, a capivara residente de olhos doces, o Casimiro deu-lhe muita conversa mas ela preferiu-me a mim!! Ganhamos mais uma amiga, mais uma noite para recordar, que bem que se está aqui! O despertar foi cedo, vêem-se mais bichos de manha cedinho, vamos num passeio de barco subindo rios cada vez mais estreitos. Pantanal adentro vemos centenas de jacarés, milhares de espécies de pássaros, macacos, iguanas, capivaras, veados...só faltou mesmo a sucuri. 4 horas depois voltamos à pousada e partimos na direcção de Campo Grande. A estrada é boa mas muito monótona, de um lado e do outro a paisagem é sempre a mesma, infinitos campos de cana do açúcar cortados por rectas sucessivas, é chato, dá sono! Reencontramos o César durante o jantar delicioso na "Peixaria Pantanal", aceitámos a sugestão do "chef" e experimentámos vários peixes dos rios locais, foi uma boa escolha, o peixe é muito saboroso e sem espinhas. ! Ontem o dia foi sem historia, a paisagem continuou monótona e não conseguimos descobrir nada de interessante no guia sobre esta região. Chegámos a SP mesmo a tempo do almoço, fomos recebidos ainda na auto-estrada pelo Silvio e pela Joelma e eles nos guiaram até ao restaurante onde os Verbenos já nos aguardavam. Já não é segredo que nos sentimos em casa quando entramos em SP, pessoalmente não gosto da cidade, é grande demais, é confusa demais, mas os amigos que temos aqui fazem com que seja uma das nossas cidades favoritas. Sobre a recepção em SP falo amanha, hoje, para terminar fiquem com uma foto do bicho mais estranho que vimos no pantanal!

Paragem Forçada

Em vez de acordar amarrotado depois de um voo de 12 horas até ao Bornéu como tinha planeado acordei numa cama da uci do Hospital  dos Lusiad...