sexta-feira, dezembro 10, 2010

Maldita cocaína...

... que tão má fama dá a um país tão belo. A Colômbia não é o que dizem, é um país que sorri, que recebe bem que nos faz sentir leves... e sem ser necessário recorrer a substancias ilícitas. Cartagena é assim mesmo, bela, forte, rústica mas com uma doçura nas suas gentes que encanta todos os que a visitam. Eu não fui excepção, estou rendido a esta cidade, a esta baía, a esta gente, à Colômbia. Infelizmente não tenho tempo para a desfrutar como gostaria, vou ter arrancar rapidamente para a Venezuela. As previsões de importação temporária da moto na Colômbia são de 8 horas, ou seja um dia de espera para poder arrancar para a estrada. Um dia que não tenho, a troca de barcos fez-me atrasar e agora tenho 2 dias úteis e 1300 kms para chegar ao meu voo de regresso em Caracas. Perante o ar desconfiado do capitão Bob avanço confiante na companhia de Paola, a sua agente despachante para a Aduana e em menos de 2 horas estou de volta ao Hotel. Listo e pronto!! O charme da Paola misturado com a minha determinação e positivismo produziram mais um recorde. A Maria está pronta a rodar, ao contrário dos submarinos improvisados pelos narcotraficantes que estão em exposição nas docas da aduana. Já sei das enormes inundações nas regiões que vou ter de atravessar para chegar a Caracas e qualquer imprevisto compromete totalmente o meu justo calendário. Por isso avanço pela rota mais curta e em pouco mais de 2 horas tenho o primeiro imprevisto. Uma simpática policia diz-me que uma ponte ruiu mais à frente, tenho de procurar outra forma de chegar à fronteira. Fujo para a costa, longe das montanhas as estradas devem ter sofrido menos com as chuvas. Acerto na aposta, a estrada é boa e rápida, alem disso é bonita. A chuva volta e com ela mais desabamentos e lama no asfalto, nas margens da estrada vejo vários índios "despidos" a rigor. Na minha cabeça repito, tenho de volta com mais tempo... tenho de voltar com mais tempo... É daqui que sai a caminhada de 6 dias para a Ciudad Perdida, umas isoladas ruínas de uma civilização ainda desconhecida, algures no topo destas montanhas. Tinha-a nos planos mas vai ter de ficar para a próxima. A chuva não me deixa tirar fotografias, paro numas bombas para encher o tanque e oferecem-me um café quente. Quanto é? Cortesia diz o senhor. Estão a ver... cortesia é o apelido da grande maioria dos Colombianos. São 9 da noite quando chego a Santa Marta, 3 horas de condução nocturna com chuva forte na Colombia. Quebrei todas as minhas regras de segurança mas sobrevivi e estou satisfeito. Comemoro sozinho num restaurante chique para variar, risotto al mare com duas taças de vinho chileno. Sinto que mereço!! O jantar foi mais caro que o hotel... ;)

5 comentários:

  1. "Chapeau", como dizem os franceses. Grande relato! :)

    Zé Paulo.

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  2. Foste multado pela foto?
    LD

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  3. BRUTAL !!!!

    FZR

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  4. A pequena da policia é linda.

    Não tentaste pedir uma escolta para a tua travessia ?

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