quarta-feira, dezembro 21, 2011

Tormentas no Cabo da Boa Esperança.

Afinal o tenebroso cabo das Tormentas não é assim tão assustador, pelo menos quando visto desde terra num belo dia de sol. Quem diria que praias de areia branca e aguas turquesa envolvem um dos pontos mais famosos da navegação mundial. Com os dias grandes do verão austral consegui poupar algum tempo, tempo que quero gastar agora desfrutando calmamente o fim deste continente magnifico. Começo pelo cabo Agulhas onde as aguas do Indico se encontram com as do Atlântico no ponto mais sul de África. Aqui, onde as quentes águas da corrente de Agulhas dá de caras com a rica e fria água que vem com a corrente de Benguela é o local ideal para dar umas braçadas. Já mergulhei no Indico e no Atlântico, mas esta foi a primeira vez que o fiz nos dois ao mesmo tempo :) Não muito longe do Cabo Agulhas fica Gansbaai, a capital sul africana do mergulho com os grandes tubarões brancos, algo que quero fazer já há alguns anos. É aqui que fica a famosa Dyer Island, onde uma grande colónia de focas serve um banquete diário à maior concentração de tubarões brancos do planeta. Isto de viajar de moto sem nada marcado às vezes tem os seus inconvenientes e por pouco não fiquei em terra, todo os operadores já estão cheios para o dia seguinte. A custo consigo um lugar no mergulho das 11 da manhã, gostaria de ir mais cedo mas não há lugar. Aproveito a manhã para umas braçadas na baía e uma caminhada pela pacata cidade piscatória. Visito todos os operadores mas um em especial chama a minha atenção, não apenas pela simpatia com que sou recebido mas principalmente pelo profissionalismo e genuína paixão que têm pelo que fazem. Enquanto saboreio um café e converso com o Mike vou espreitando um documentário que passa no plasma da loja. O Mike com que estou a falar é afinal Mike Rutzen, o lendário investigador que nada com os grandes brancos e participa regularmente em documentários da BBC, National Geografic e Discovery Channel. Com uma simpatia e simplicidade fantástica perde ali tempo comigo conversando sobre estas fantásticas criaturas enquanto me mostra no telescópico alguns grandes tubarões patrulhando as aguas da Dyer Island. Quando lhe falo da empresa com a qual vou mergulhar não deixa de ser simpático, "They are ok, nice guys" Na verdade a pressa é sempre inimiga da perfeição e se pudesse ter escolhido com mais tempo não teria duvida em escolher a empresa de Mike para ter esta experiência. Não que se veja mais tubarões nesta do que noutras, mas como em tudo quanto mais know how tiver quem nos leva torna melhor e mais enriquecedora será a nossa experiência. É precisamente por estas e por outras que na maioria das vezes é preferível pagar um pouco mais por um serviço bom, do que menos por um serviço "normal" Gostei do mergulho, servi de isco para 4 great whites dentro de uma jaula submersa e assisti do deck enquanto eles rodeavam o barco atacando as cabeças de atum atadas ao seu redor. Foi bom, afinal não é todos os dias que estamos a centímetros de um animal destes, mas poderia ter sido melhor... quando lá voltar vou com o Mike! Regressado a terra descobri que já não tinha espaço no mesmo hostel e teria de procurar outro. Em vez disso voltei à estrada e novamente com o sol a dourar o caminho segui pela costa a caminho de CapeTown. O hostal está cheio com 3 camiões overlanders, não há lugar para mim e eu estou com pouca paciência para procurar outro no meio da cidade. Decido aproveitar a oferta do David e Angela e sigo para casa deles onde sou extraordinariamente bem recebido com um churrasco no jardim. No dia seguinte junta-se a nós o Simon e a sua F650GS Dakar. O Simon é proprietário de uma empresa de safaris que opera da África do Sul até ao Quénia e alem de muito simpático vai ser provavelmente parceiro da MotoXplorers num futuro bastante próximo. Juntos percorremos todas as estradinhas da península, fomos a Cape Point, atravessámos a reserva do Cape of Good Hope, visitámos os padrões portugueses espalhados pela costa e terminámos a manhã na sombra de um enorme jacarandá a saborear uns calamares deliciosos. As estradas são inacreditáveis, bordando as colinas da Table Mountain e ligando uma sucessão de baías e praias de areia branca e aguas turquesa. A Chapman's Peak Drive é considerada uma das mais espectaculares estradas costeiras de todo o Mundo, e eu concordo! É engraçado como os Sul Africanos são tão diferentes das suas origens anglo-saxónicas. O sol e as belas paisagens devem ter provocado uma erosão natural na típica rigidez e frieza britânica. Sorriem, desfrutam a natureza e o sol de um forma descomprometida e simples. É como se tivessem levado uma injecção de sangue latino, são calorosos, atenciosos, relaxados... felizes! O David e a Angela são assim mesmo, dão valor ao local magnifico onde vivem, desfrutam-nos e agora partilham-no comigo, obrigado amigos!

6 comentários:

  1. Estou a juntar dinheiro para essa viagem....É para quando? :)

    Fernando Pereira

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  2. Ah que saudades dos grandes brancos!!! O nosso amigo Carlos Martins disse-me para vir aqui espreitar o vosso blog e por tudo o que vi já valeu a pena :-)
    Ainda por cima, mergulhaste com o Mike (ele foi o meu instrutor do curso de 'White Shark Awareness' há uns bons seis anos). Mergulhaste com o melhor de todos!!!
    Quanto à vadiagem, se não podemos ser nós, que sejam bons amigos por nós, com relatos simples mas inteligentemente expressivos.
    Obrigado e boas curvas, vamos-nos vendo por aqui.
    Abraço,
    Fernando Reis

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  3. Que comentário racista... ir a Africa do Sul mergulhar com os grandes tubarões "brancos" :) Continua assim e vais ter que nos levar a todos para o ano que vem.
    Um abraço,
    Hingá

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  4. Tive o prazer de ter feito isto que fizeste. É realmente fantástico estar onde os nossos tugas estiveram à uns anos atrás.
    E o cheiro "agradável" da Seal Island hum?
    abraço Paulo

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  5. Vânia Luz1:28 da manhã

    Lugares perfeitos, man.
    Só não curto muito a ideia dos tubarões, nessas águas aí só entro na beirada, nada de fundo hahahah :p

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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