quarta-feira, dezembro 14, 2011

Zambezi: África pura, sem diamantes sff

Imaginem um enorme planalto que se estende por muitas centenas de quilómetros. Agora imaginem que uma faca gigantesca faz um golpe em ziguezag com mais de uma centena de metros de profundidade. Esperem, ainda não acabou, juntem um rio que corria tranquilo e espaçado na planicie e que caí agora abruptamente ao longo de quase dois quilómetros nessa fenda. É dificil imaginar não é? Pode ser que umas fotos ajudem. Não é à toa que esta é universalmente considerada a cascata mais majestosa de todo o planeta, uma das sete maravilhas naturais e patrimonio da humanidade pela Unesco. Muitos galardões que mesmo assim não fazem juz à sensação de a sentir de perto. De perto de longe, de um lado e do outro, todos os pontos de vista deixam-nos de queixo caído. Passei a manhã a vê-la do lado do Zimbabwe, de frente para as quedas de agua, depois passei para o lado da Zambia onde o rio largo forma ilhas e piscinas naturais bem na beira do abismo, e por fim vi-a do ar a bordo de um ultraleve que alem das cascatas nos presentei com toda a beleza do rio Zambezi. Nota-se bem que a Zambia e o Zimbabwe não têm diamantes, não apenas nos serviços aduaneirosmas principalmente nas infraestruturas dos 2 países. Estradas degradadas, edificios a precisar de reforma e um ambiente que nos transporta para a verdadeira África pura. Entrar nestes dois países saí caro, são 25USD de visto mais 50 de importação temporaria da moto para o Zimbabwe e na Zambia 50USD de visto a que temos de juntar 20USD de importação temporaria e mais 10USD de uma taxa engraçadaa que chamam Taxa de emissões de carbono. Doeu, é claro que doeu, mas sabem que mais é bem feito! Todo o povo africano é descriminado quando quer entrar na Europa, porque não podem eles fazer o mesmo com os Europeus? O mais engraçado é que no primeiro guiché só podemos pagar com moeda local, hora como é obvio quando entramos num país não temos moeda local por isso há que trocar num cambio inventado pelos “colegas” no exterior. Depois no segundo Guiché só USD... mas acabei de trocar todos os USD que tinha por moeda local... just USD, sorry! Vai trocar de novo, euros por dolares. No terceiro aceitam só moeda local de novo e como já não chega lá se vai outra vez ao “colega” trocar mais uns euros... Um processo criativo de sacar mais uns cobres aos turistas, e o mais brilhante de tudo, totalmente regular. Decididamente onde me sinto melhor em viagem é fora das cidades, foi só sair de Livingstone que relaxei novamente, nas cidades parece que fico tenso, atento, alerta para evitar qualquer terreno em falso. No meio do campo paro sem receios nas aldeias, sou bem recebido, sinto-me totalmente tranquilo. A estrada que me leva pela margem do Zambezi por mais de 200kms está forrada de aldeias tradicionais e mata intocada, linda! Chego à Namibia e tudo muda, não em termos de paisagem ou de pessoas mas na organização da fronteira. Ar condicionado, instalações impecáveis e um processo rápido e simples. Entro na Caprivi Strip uma faixa de Namibia com 500kms de cumprimento e pouco mais de 20 de largura, entalada entre Angola a Norte e Botswana a Sul. Esta é uma região onde até à bem pouco tempo só se podia circular escoltado num comboio de veiculos militares. Hoje, terminada a guerra civil em Angola é uma sucessão de reservas naturais onde já se nota bem a influencia tropical. A savana dá lugar à floresta a humidade aumenta e não demora muito até reencontrar o rio Okavango. Confesso que a paisagem acaba por ser monótona, desde a Africa do Sul que não vejo uma montanha, uma elevação. As distancias são tão grandes e as retas tão longas que até os elefantes e zebras que de vez enquando atravessam a estrada já se tornaram banais. A falta de pontos elevados não nos dá perspectiva para ver alem da primeira franja de arvores e arbustos e tudo isso acaba por retirar a dimensão do que nos envolve. De vez em quando paro! Paro só por parar, para descansar o rabo e fumar um cigarro, deito-me no chão e reduzo a velocidade interna. A monotonia acaba por nos empurrar a andar mais rapido para rodar mais depressa e ver mais, mais. Tenho a necessidade de contrariar isso, por isso paro, aprecio a pasiagem e acabo por ter mais atenção a pormenores que passariam despercebidos se não tivesse parado. "Pormenores" com esta amiga que me observava atenta... Reencontro o Okavango num hostal idilico. Um local com uma vibração fantastica e uma localização melhor ainda, bem de frente para uma piscina de hipotamos. A piscina dos hospedes é uma jangada forrada a grades de ferro que impedem os hipopotamos e os crocodilos de se juntarem a nós para umas braçadas. Não sei se é por já estar meio preto ou se é por curiosade por causa da moto, mas onde quer que chegue os empregados adoptam-me sempre. Aqui não é excepção, sou forrado de mimos pelas cozinheiras e pelos empregados do bar, comi que nem um abade e bebi que nem um frade, mas desta vez respeitei a lua alta, 9 horas e já estava na caminha.

3 comentários:

  1. Miguel Casimiro12:19 da tarde

    :)))))))!!!

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  2. Cuidado com as amigas...grandes fotos essas, mas se não estou enganado a tua amiga "verdinha" é uma mamba-verde que é uma espécie altamente venenosa e algo agressiva!!! Vê se voltas inteiro!
    http://en.wikipedia.org/wiki/Eastern_green_mamba

    Pedro Geraldes

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  3. a inveja é uma coisa tão feia.....mas a verdade é que estou cheio dela...desculpa carlos.
    Continuação de boa viagem e obrigado pelos relatos

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