terça-feira, novembro 23, 2010

A morte do colibri.

Podia ser o titulo de um romance qualquer mas não é, aconteceu mesmo, o desgraçado do bichinho esparramou-se mesmo contra o meu casaco, ainda bem que não foi um papagaio... Por estas estradas todo o cuidado é pouco, buracos na berma terminam no fundo do vale as pistas de "terraceria" viram placas de margarina assim que cai uma das cargas d'agua habituais desta zona. A passagem pelo Belize foi uma agradável surpresa, é impressionante como os contactos com as pessoas podem mudar a nossa opinião sobre um determinado país. O Belize é um país muito belo, imaginem uma criança a desenhar um país tropical e ficam com uma boa imagem do país Casas de madeira de cores berrantes, coqueiros por todos os cantos e um bom feeling tipicamente caribenho. Mas depois povoado por policias mal humorados, que devem aprender a não sorrir na formação para agentes da autoridade, inspirados no rigor britânico mas com a competência de barmens jamaicanos ;) Desta vez foi diferente, o policia reconheceu-me e foi até bem simpático, em 15 minutos despachou-me, moto, passaporte e um sorridente have a nice ride Carlos. Pelo caminho tive de assistir a um funeral. Tive porque estas cerimonias aqui envolvem todos os que passem na estrada nesse momento. Os familiares juntam-se na estrada e ocupam-na totalmente impedindo qualquer tráfego, eu de moto poderia passar pela berma mas como ninguém o fazia eu também não o fiz... ultrapassar o morto talvez não seja bom karma. Chegado à Guatemala a experiência oposta, ainda na semana passada passei com 6 motos e nenhum problema, agora são estupidamente rigorosos e chatos. É certo que a moto não estar em meu nome não ajuda a simplificar, mas trago uma declaração de venda autenticada e bem clara, algo que para o guarda deve ser demasiado complicado. Uma conversa com a chefe da Aduana resolve o problema mas perdi 2 horas e caiu a noite. Os 70 quilometros daqui ao lago de Peten são desertos e famosos pelos roubos nocturnos, não arrisco, fico já aqui. A chefe da Aduana pinta a cidade como um antro de bandidagem, diz que está ali destacada a contar os dias para voltar para a sua cidade. Quanto mais entro para o centro mais começo a concordar com ela, oiço bangs, parecem foguetes mas não há luzes no ceu. Aliás nem no ceu nem em lado nenhum, são 8 da noite e está um breu total. Sigo o seu conselho e vou para o melhor e unico hotel da cidade. Abrem-me a porta 2 seguranças com caçadeiras de cano curto na mão, buenas noches senõr. Entro já meio a medo, uma recepcionista gordinha e baixinha diz-me que o quarto custa 35 USD. Faço cara de ainda mais assustado e ela sem me deixar dizer nada diz OK 15USD. O hotel é um quarteirão rodeado por edificios, no centro um pequeno jardim de cimento e à volta habitaciones com ar de motel, estaciona à porta e já estamos no quarto. Porreiro. Continuo-o a escutar os bangs, pergunto à recepcionista se há alguma fiesta na cidade. Ela diz que não, que é quase sempre assim, são comemorações mas nem há festa nem bares nem discotecas na cidade, apenas comemorações privadas... Ok passo seguinte jantar, ela muito prestável diz que é melhor comer no restaurante do hotel. Eu por mim até me dá jeito que não tenho muitos quetzales e assim pago tudo com o cartão. O restaurante é assustador, limpo e organizado mas decorado com peles e cabeças e animais empalhados. Conto pelo menos 6 jaguares, várias tartarugas, crocodilos de todos os tamanhos, cobras, tudo esparramado nas paredes. Perdi o apetite, peço uns tacos e vou comer para o quarto. A manha seguinte acorda nublada, optimo, menos calor. Avanço pela pista de terra branca que há alguns dias estava impecavel. Agora é uma espécie de paté difícil de negociar com os meus pneus de ir ao morango. Sem grandes paragens sigo até Rio Dulce e ao já conhecido hostal Backpackers, desta vez não durmo aqui, mas é aqui que começa a parte nova desta viagem, daqui para a frente tudo vai ser novo, no ultimo dia e meio fiz 1200kms já conhecidos de viagens anteriores, agora o ritmo vai diminuir. Algumas nuvens resolvem desabar à minha passagem, paro para me abrigar, espero 5 minutos e volto à estrada com sol novamente. A estrada é muito movimentada e cheia de perigos, as curvas das montanhas da reserva da biosfera Maya fazem muitas vitimas. Chego cedo à fronteira das Honduras, talvez dê ainda para ver as ruinas de Copan hoje penso enquanto me dirijo para a Aduana. 2 horas depois, já com o sol a desaparecer atrás das montanhas entro finalmente nas Honduras. O processo de importação temporário de um veiculo por aqui deve ser mais documentado que um transplante de coração em Portugal... tive de tirar 3 fotocopias de passaporte, registo da moto, declaração de venda, recibo de pagamento e voltar a fotocopiar tudo depois de carimbado. Foram 35USD para a importação e mais uns 20 só em fotocopias... Agora estou num agradável hostal perto das ruínas de Copan, nas montanhas das Honduras. Amanha cedo vou finalmente ver a ultima zona arquelogica Maya que me falta, depois digo se vale a pena.

3 comentários:

  1. !"&#*&#!!!
    E eu aki a bulir.......boa viagem vadio

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  2. Tu e o problema com as aves lolololol não podes ver uma à tua frente.
    LD

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  3. Grande Carlos
    Um prazer voltar a ter notícias tuas.
    Boa Viagem.

    PADRE Desmogroup

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